Por Renato Moura

 

Os meios de comunicação social trazem-nos, diariamente, notícias alarmantes sobre a crise económica. É uma calamidade que molesta empresários, afecta trabalhadores e gera dramas familiares. Enfraquece os poderes públicos pelos impostos perdidos e pelos apoios extraordinários dispensados.

O tecido económico, principalmente nas pequenas ilhas, é exclusivamente formado por empresas de pequena dimensão, mas ainda assim muitas delas são fundamentais no serviço à comunidade e para a manutenção de postos de trabalho. Os apoios financeiros são importantes para atenuar a crise, podem até ser essenciais, porém as boas medidas de gestão são fundamentais.

Nos bons tempos até os empresários sem qualquer preparação conseguiam ganhar dinheiro com uma simples ideia, bom senso e algum esforço. A época difícil vai servir para expor fragilidades antigas.

Há empresas nas nossas terras tidas por grandes, só pela variedade de actividades, ou pelo número de trabalhadores. Essas e outras, pela sua natureza ou volume de negócios são obrigadas a possuir contabilidade organizada, certificada por um técnico oficial de contas, o qual, por princípio, garante a fidelidade de todas as operações contabilísticas, mantém a escrita em dia e fecha as contas anuais para apresentação ao fisco.

Ditosamente há gestores «licenciados» pela experiência em serviço. Infelizmente há empresários que não recebem os balancetes mensais da contabilidade, nem exigem a sua entrega, ou, se os recebem não olham para eles, ou não sabem retirar deles a informação indispensável para as medidas de gestão. E o mesmo se poderá dizer quanto ao apuramento anual de resultados! Será admissível alguns não estarem preparados para o fazer, mas então teria de haver alguém honesto e capacitado para essa função permanente: desejavelmente no quadro da empresa, ou contratado para uma prestação de serviço especializada e regular. Uma contabilidade oficial não pode existir apenas para satisfazer as Finanças! Só uma leitura atenta de todas as contas (rendimentos, gastos, meios financeiros e outras) permite aos gestores tomar medidas capazes em cada um dos sectores de actividade, para potenciar os resultados líquidos e decidir investimentos.

Há empresas com uma boa rede informática, todavia nem isso evita sequer a rotura de stocks! Importa valorar as potencialidades de pessoas e equipamentos e aproveitá-las para gerir melhor. Empresários, associações empresariais e governos não podem esquecer o ensinamento: em vez de dar o peixe, é melhor ensinar a pescar.