Por Monsenhor José Medeiros Constância*

Nos últimos anos têm sido vários os documentos da Igreja desde Encíclicas, a outros de vária ordem, com temáticas atuais e a propósito de acontecimentos a celebrar.

Trago algumas perguntas inquietantes de hoje, procurando luz nos referidos documentos para uma boa pastoral e sua aplicação.

1ª –  Que desafios nos traz a Pandemia?

Uma terra em agonia, a solidão, a inclusão e a solidariedade, a Igreja doméstica, as relações, a vida comunitária, construir a fraternidade universal, partir das periferias e a paróquia comunidade sinodal, são pontos do documento da Conferência Episcopal, datado de 13 de novembro de 2020, que nos ajuda a enfrentar a pandemia, com a qual temos de lidar no dia a dia.

Como diz o referido documento: “A Igreja é chamada a viver em comunhão com todos. A experiência da fragilidade que a pandemia nos faz viver mostra quanto é absurda a tentação da autossuficiência ditada pela técnica e pela ciência, quanto é artificial o mundo do bem estar que estamos a cair”.

2ª – Que família vai ficar?

O mapa da família no mundo açoriano como no português e em geral por toda a parte, mudou muito nos últimos dez anos. A Exortação Apostólica «Amoris Laetitia» propõe o projeto matrimonial cristão nos seus nove capítulos, sem ficarmos só pelo oitavo capítulo. O Ano Familia “Amoris Laetitia” que estamos a viver parte das realidades de hoje e do olhar do bom que tem o mundo no amor e nas famílias, procurando em Cristo o fruto de uma escolha e de uma vivência original. No matrimónio deixemos que os casais da pastoral familiar territorial e dos movimentos falem e construam a sua originalidade cristã familiar no mundo. Nós padres estamos para acompanhar!

3ª – Que fazer com as paróquias hoje?

Esta é a pergunta que temos de enfrentar para renovar as paróquias hoje. Só os padres e os Bispos é que devem destinar o presente e o futuro das paróquias?! Vamos continuar nos Açores com 165 paróquias e com 17 ouvidorias. E as zonas pastorais, as unidades pastorais e as nomeações in solidum?

O documento da Congregação para o Clero, «Instrução à Conversão Pastoral da Comunidade Paroquial», informa e sugere práticas atuais para a paróquia hoje.

4ª – Como será a Catequese para amanhã?

Com a pandemia a Catequese ficou abalada. O problema é como fazer cristãos hoje com as famílias e com todos. O novo Diretório para a Catequese, publicado a 23 de Março de 2020, lança pistas sólidas para a renovação da Catequese hoje e amanhã em todo o mundo, porque acentua a comunidade, a família, os adultos e as crianças num processo realista de iniciação cristã.

Post-pandemia Açores temos que adaptar e inculturar as nossas catequeses para que sejam diretas, formem cristãos e não saturem. Os serviços de apoio à evangelização e catequese nas diferentes ilhas têm de sugerir inovações e os catequistas terão de ser outros.

5ª – O mundo maldito e perdido ou de ecologia integral e de amor?

Dois documentos – encíclicas do Papa Francisco vieram dar visão de futuro, e de bom senso, à Ordem Internacional, aconselhando o mundo e a Igreja a trabalhar a casa comum (Laudato Si). E, numa visão de que os outros não são o inferno, mas o céu (Fratelli Tutti). Que falta fazer nos Açores para que a apresentação destas encíclicas que já foram feitas, cheguem em orientações práticas à estrutura cultural, sócio-política eclesial e popular?! Louvado seja! Todos irmãos!

6ª – Os Jovens estão à deriva?

Sim, no geral os jovens estão à deriva e os serviços da Igreja com a Juventude não atingem tantos que estão sem emprego, que estão na droga, na descrença e na superficialidade.

O documento do Papa Francisco «Cristo Vive» apresenta Cristo como Aquele que necessita de ser encontrado pelos jovens na sua vida revolucionária e de humanismo radical. As Jornadas Mundiais da Juventude devem constituir um caminho local e nacional que faça com Cristo caminho sério. Que movimento juvenil pode fazer militantes os jovens que estão fora e dentro da Igreja nos Açores?

7ª – São José, Patrono da Igreja Universal. E a sinodalidade?

São José é o patrono da Igreja Universal. Estamos a celebrar 150 anos da sua proclamação como tal. Ele é exemplar como pai, é patriarca do silêncio e da humildade, é trabalhador incansável e outras tantas coisas mais, para além de patrono da boa morte. Celebramos 150 anos da sua proclamação, guiados pela exortação apostólica do papa Francisco «Patris Corde» e em contexto do sínodo sobre “sinodalidade: comunhão, participação e missão” que começa agora na sua fase diocesana a 17 de outubro próximo.

Então o nosso trabalho sinodal deve ser abençoado por ele e a nossa oração também deve ser: São José, patrono da Igreja Universal rogai para que toda ela seja sinodal.

*Monsenhor José Medeiros Constância é presidente do Instituto Católico de Cultura e vice-reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres