Por Renato Moura

Esta foi a semana onde foram mortos dezenas de cidadãos e feridos centenas, em Bruxelas, em pleno coração da Europa, nas barbas das principais instituições europeias.

Já quase tudo foi dito e escrito, em termos de análise, por um sem número de especialistas. Porém a esmagadora maioria dos cidadãos comuns ainda não terá percebido como foi possível isso acontecer, precisamente no país que acobertaria, como se suspeitava, terroristas com ligação à recente chacina de Paris. Como se explica que se tenham passeado, num aeroporto de Bruxelas, bombistas carregados de explosivos, por demais com sinais comprometedores?!

Não tem faltado a ternura das pessoas, as mensagens dos governantes, os minutos de silêncio, as luzes a fazerem bandeiras. Mas a realidade é que, mesmo dentro duma Europa que se tinha por cultural e politicamente evoluída, as carnificinas se sucedem, obrigando a perceber que estamos longe de viver em segurança. De pouco vale afirmar-se que os sistemas de segurança permitiram evitar muitos ataques terroristas, quando os que acontecem continuam a ser das dimensões vistas e sofridas.

Para que os sonhos se justifiquem e a vida possa ter sentido, é preciso encontrar soluções mais eficazes, pois meter trancas temporárias à porta, após cada tragédia, depois de tantas mortes e tantas famílias desfeitas, é demasiado pouco. É certo que educar para os princípios é um dever de todos. É verdade que os crentes em Deus têm um dever especial de ensinar, pois não é legítimo matar em nome de qualquer deus, mas o fundamentalismo cega. E há os deveres dos Estados; e da Europa.

Os inocentes que foram arrancados à vida terrena certamente já terão recebido de Deus a graça da salvação eterna e estarão com Ele no paraíso. Ele que o prometeu até ao ladrão arrependido.

Esta Europa que capítula em tantas decisões e na falta delas, não encontra soluções de segurança para os seus e negoceia, com quem sabe aproveitar a oportunidade, a expulsão daqueles que, empurrados pela guerra, vinham aqui buscar refúgio. Arrasa-se o direito e os elementares princípios humanitários.

 

As horríveis abominações, a provação e a dor dos que choram, mais uma vez impõem que a segurança seja elevada a valor fundamental.

A fragilidade da existência humana fica novamente patente. Bem ensinava Jesus que vigiássemos, pois não sabemos o dia nem a hora.

Que na semana maior em que se comemora a vitória da vida sobrenatural sobre a morte, Deus infunda em todos inspiração, coragem e força para fazerem tudo o que devem.