Francisco vai ser recebido por Barack Obama, antes de discursar no Congresso dos EUA e na sede da ONU

 O Papa Francisco começa hoje em Washington a sua primeira visita aos Estados Unidos da América (EUA), onde deve abordar temas como a família, o aborto, a ecologia, a liberdade religiosa ou o embargo norte-americano a Cuba.

Francisco vai ser acolhido pelas 16h00 (21h00 em Lisboa) pelo presidente Barack Obama e a sua família na base aérea de Andrews, mas a cerimónia oficial de boas-vindas está marcada para a manhã de quarta-feira, na Casa Branca.

“Durante a visita, o presidente e o Papa vão continuar o diálogo começado durante a visita do presidente ao Vaticano, em março de 2014”, refere a página da Presidência dos EUA, acrescentando que em cima da mesa estão temas como a pobreza, o desenvolvimento económico, a defesa do meio ambiente, a integração dos imigrantes ou a proteção de minorias e promoção da liberdade religiosa.

Logo na primeira Missa a que vai presidir no Santuário nacional da Imaculada Conceição, em Washington, o Papa e os participantes na celebração vão rezar por uma cultura que respeite “ a vida de todas as pessoas, em especial dos idosos e dos que ainda não nasceram”.

A prece apela ainda ao fim dos “preconceitos raciais, discriminação, aborto, eutanásia e pena de morte”.

Os EUA têm mais de 71 milhões de católicos (22,7% da população), segundo as estatísticas mais recentes do Vaticano, mas a importância da Igreja no país ultrapassa esse dado, como é visível no número de cardeais norte-americanos: 15, nove dos quais eleitores, um grupo apenas superado pelos italianos; a América do Sul tem, no total, 12 cardeais eleitores.

Ainda em Washington, na quarta-feira, o Papa vai ser o primeiro pontífice a discursar diante das duas câmaras do Congresso norte-americano, o órgão do poder legislativo do governo federal, constituído pela Câmara dos Representantes e o Senado.

A intervenção deverá sublinhar a importância diplomática da viagem, depois de, no sábado, Francisco ter elogiado em Havana a “normalização” das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos da América, apelando ao aprofundamento do diálogo político.

O “número dois” da Secretaria de Estado do Vaticano, D. Angelo Becciu, indicou em entrevista à Tv2000, da Conferência Episcopal Italiana que o Papa Francisco vai apelar ao fim do embargo norte-americano a Cuba.

O bispo auxiliar de Washington, D. Mario Dorsonville, disse à Rádio Vaticano que seria “impensável que, durante a sua visita, o Papa não considerasse a situação dos imigrantes e dos hispânicos” nos EUA.

Já em Nova Iorque, Francisco vai tornar-se o quarto Papa a discursar na sede da ONU, depois de Paulo VI (1965), João Paulo II (1979 e 1995) e Bento XVI (2008).

Um estudo de opinião divulgado hoje pela CNN mostra que o Papa tem uma imagem “amplamente favorável” no país e que a maior parte dos católicos apoia as suas intervenções, mesmo em “assuntos polémicos”.

A visita conclui-se em Filadélfia, cidade que acolhe desde hoje o 8.º Encontro Mundial das Famílias, motivo principal da viagem de Francisco aos EUA.

Para trás fica uma visita de três dias a Cuba, onde Francisco afirmou que a Igreja Católica propõe uma “revolução” que passa pela “ternura”, o “serviço” ao próximo e o “diálogo”.

 

“A nossa revolução passa pela ternura, pela alegria que se faz sempre proximidade, que se faz sempre compaixão – que não é pena, é ‘padecer com’ – e leva a envolver-nos, para servir, na vida dos outros”, declarou, na homilia da Missa a que presidiu na basílica do Santuário de Nossa Senhora da Caridade, em Cobre.

No local de culto dedicado à padroeira de Cuba, Francisco sublinhou que a fé leva os católicos a “sair de casa e ir ao encontro dos outros para partilhar alegrias e sofrimentos, esperanças e frustrações”.

“Como Maria, queremos ser uma Igreja que serve, que sai de casa, que sai dos seus templos, das suas sacristias, para acompanhar a vida, sustentar a esperança, ser sinal de unidade. Como Maria, Mãe da Caridade, queremos ser uma Igreja que saia de casa para lançar pontes, derrubar muros, semear reconciliação”, acrescentou.

A intervenção aludiu às “dores e privações” da história do país, sublinhando que estas dificuldades não conseguiram “extinguir a fé” nem apagar a “alma do povo cubano”, numa referência indireta ao regime comunista que se seguiu à revolução de 1959.

Francisco recordou que a Igreja Católica sobreviveu “graças a tantas avós que continuaram a tornar possível, na vida diária do lar, a presença viva de Deus”.

Simbolicamente, os bispos convidaram para esta última Missa presidida pelo Papa em Cuba, onde chegou no sábado, vários membros das ‘comunidades sem templo’ e os missionários leigos que as evangelizam, procurando fazer face às limitações colocadas à construção de novas igrejas e à falta de clero.

A homilia pontifícia assinalou os 100 anos do pedido feito ao Papa Bento XV para que declarasse Nossa Senhora da Caridade como padroeira de Cuba.

 

 

Antes da Missa, o Papa cumprimentou 13 crianças com cancro, assistidas em Santiago de Cuba, e, já dentro da basílica, saudou o presidente cubano Raúl Castro, que há tinha acompanhado as celebrações eucarísticas em Havana e Holguín.

Depois de uma encontro com famílias cubanas na Catedral de Santiago Francisco parte para os EUA.

CR/Ecclesia/Lusa