Um ano depois da reabertura ao culto, será lançado o livro “Igreja do Carmo-Um património a redescobrir” da autoria do Pe. Marco Luciano Carvalho

As festas de Nossa Senhora do Carmo, na Horta, decorrem de 7 a 16 de julho sob o lema “Maria, mãe e mestra da missão” e serão presididas pelo bispo emérito de Beja, D. António Vitalino.

O arranque das festas, um ano depois da reabertura ao culto desta Igreja, será marcado pela missa solene  presidida pelo bispo de Angra, às 11h00 do próximo domingo, dia em que arranca também o novenário preparatório da festa. Na ocasião haverá a bênção dos sinos e a dedicação do novo “Altar do Sacrifício”.

Diariamente entre as 18h30 e as 19h00, dos dias 7 a 15 de julho, será feita a meditação do rosário, celebrados o sacramento da reconciliação e a eucaristia.

Na quinta feira, dia 11, às 17h00, haverá um momento de adoração eucarística, com bênção do Santíssimo e Missa Solene. No dia 12 de julho, das 17h00 às 19h00, será proporcionado o sacramento da reconciliação e às 19h00, na Missa, será administrado o sacramento da Santa Unção.

No dia 14 de julho, haverá um almoço de angariação de fundos para a continuação das obras de restauro da Igreja do Carmo, e às 19h00, na Missa, os casais que celebram as bodas de prata e de ouro receberão uma bênção especial.

No dia 15 de julho, depois da Missa com as Vésperas, será lançado o livro “Igreja do Carmo- um património a redescobrir”. O livro da autoria do reitor da Igreja do Carmo, Pe. Marco Luciano Carvalho, será apresentado por Monsenhor António Manuel Saldanha, seguindo-se o concerto pelo grupo “Trio Klássico”.

No dia 16 de julho, dia de Nossa Senhora do Carmo, será celebrado com a alvorada, às 8h00, seguida do Terço meditado, às 9h30 e de Missa às 10h00. A Missa solene será às 19h00 com o rito de entrada e profissão de fé dos novos carmelitas da venerável Ordem Terceira do Carmo, animada pelo coro Stella Maris. Esta missa será presidida por D. António Vitalino, bispo emérito de Beja e sacerdote carmelita.

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo, pertencente à Ordem Terceira na Horta, reabriu ao culto no ano passado, 22 anos depois de ter sido encerrada.

A cerimónia de reabertura desta igreja, que servia no século XVIII como local de acolhimento de muitos cristãos em trânsito entre a Europa e a América, fez-se numa situação absolutamente excecional já que a recuperação da igreja não se encontra completa.

A igreja reabriu com uma série de altares por recuperar, alguns deles com urgente necessidade de restauro, com risco eminente de ruírem. Um dos altares que entretanto foi recuperado foi o “Altar do Sacrifício” cuja dedicação será celebrada no próximo dia 7 de julho.

A Igreja do Carmo encerrou as portas ao culto em 1996, altura em que começou a obra de restauro e conservação, graças a uma parceria entre a Ordem Terceira e o Governo Regional. A obra não correu bem por alegada má gestão; foi abandonada e as dividas foram-se acumulando sendo que o Governo acabaria por, em 2008, assumir o passivo da obra junto da empresa. Na altura constituiu-se uma comissão de gestão do património da Igreja do Carmo, liderada pelo recém chegado reitor, Pe. Marco Luciano Carvalho, que elaborou um plano escalonado de prioridades.

Este processo decorreu entre 2008 e 2011 e em 2011 iniciou-se a negociação com o Governo Regional para retomar o processo, levando a cabo um conjunto de obras para  imediata consolidação do edifício de forma a  assegurar o que já lá tinha sido feito. As obras decorreram em 2012, voltando a parar por falta de disponibilidade financeira. Apesar de ser reconhecida a importância do edifício nunca houve a correspondente disponibilização de um envelope financeiro que desse cobertura à intervenção.

Perante o impasse, os responsáveis da Ordem Terceira optaram pela recuperação da Capela dos Terceiros, cujas obras decorreram entre 2012 e 2015, altura em que a Capela reabriu ao culto e começou a acolher celebrações ao domingo. A presença crescente de atividade naquele espaço, o número de pessoas que começou a ir todos os domingos à missa naquela capela acabou  por determinar uma aceleração do processo de recuperação da Igreja principal do Convento, com um envolvimento direto da autarquia. Em 2017 as obras da igreja recomeçaram.

A Ordem Terceira do Faial é a proprietária deste imóvel, construído no século XVIII e mandado edificar por D. Helena de Boim, esposa do então Capitão-mor Francisco Gil da Silveira.

A Ordem Terceira tem mais de 200 irmãos ativos, sendo a mais dos Açores.

A edificação deste templo foi feita aproveitando o local da primitiva ermida cuja evocação era Nossa Senhora da Boa Nova, que havia sido construída cerca de 1639. Esta nova igreja foi edificada para satisfazer as necessidades de uma população crescente e em busca de maior dignidade. Assim, as obras da nova igreja iniciaram-se em 1698, mas só em 1797 ficaram concluídas, 99 anos depois, período de tempo que permite imaginar a grandiosidade da obra.

Na sequência da extinção das ordens religiosas pelo Liberalismo em 1834, o edifício viu-se perante uma situação de abandono, pelo que apenas se salvou devido aos esforços do Duque d’Ávila e Bolama, importante incentivo o impulsor para uma nova era de brilhante desenvolvimento sócio-cultural na Horta, doando o templo à Ordem Terceira do Carmo, no reinado de D. Maria II.

No seu interior é de destacar a capela-mor dotada por um trono, os altares laterais e a Capela dos Terceiros (anexada à Igreja), em talha dourada e com elementos característicos do estilo Rococó, bem como os preciosos painéis de azulejos policromadas em azul e branco e as esculturas religiosas (imagens estas que são maioritariamente do estilo “roca”).

Infelizmente, e apesar do contexto histórico nacional e regional, o edifício não se encontra classificado.