Por Renato Moura

Na semana passada abordámos a Exortação Apostólica “Gaudete et exsultate”, principalmente o seu capítulo I. Como então, continuamos com o intento de citar e apelar ao estudo de um documento tão rico; nunca com o intuito de o interpretar, ou sequer resumir, tentativa esta ademais impossível.

O Papa adverte para “o gnosticismo e o pelagianismo”, como “heresias que surgiram nos primeiros séculos do cristianismo, mas continuam a ser de alarmante actualidade”.

Alerta: “Uma coisa é o uso saudável e humilde da razão para reflectir sobre o ensinamento teológico e moral do Evangelho, outra é pretender reduzir o ensinamento de Jesus a uma lógica fria e dura que procura dominar tudo” e “Quem quer tudo claro e seguro, pretende dominar a transcendência de Deus”.

Exaltando a misericórdia divina lembra: “Mesmo quando a vida de alguém tiver sido um desastre, mesmo que o vejamos destruído pelos vícios ou dependências, Deus está presente na sua vida” e “São Boaventura, por sua vez, advertia que a verdadeira sabedoria cristã não se deve desligar da misericórdia para com o próximo”.

O Papa Francisco confessa a sua preocupação no facto de alguns cristãos gastarem as suas energias com “a obsessão pela lei, o fascínio de exibir conquistas sociais e políticas, a ostentação no cuidado da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, a vanglória ligada à gestão de assuntos práticos, a atracção pelas dinâmicas de auto-ajuda e realização auto-referencial”, isto “em vez de se deixarem guiar pelo Espírito no caminho do amor, apaixonando-se por comunicar a beleza e a alegria do Evangelho e procurarem os afastados nessas imensas multidões sedentas de Cristo”.

Na Exortação que se dirige a todos e interpela cada um, o Sumo Pontífice expressa “Muitas vezes, contra o impulso do Espírito, a vida da Igreja transforma-se numa peça de museu ou numa propriedade de poucos” e acrescenta “Verifica-se isto quando alguns grupos cristãos dão excessiva importância à observância de certas normas próprias, costumes ou estilos. Assim se habituam a reduzir e manietar o Evangelho, despojando-o da sua simplicidade cativante e do seu sabor”.

Parte significativa da “Alegrai-vos e exultai” é dedicada à conquista das bem-aventuranças no mundo actual, e Francisco justifica “Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; fê-lo quando nos deixou as bem-aventuranças” pois “Nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia a dia da nossa vida”.

Que a mensagem de Jesus não só fascine, como conduza.