Horta despede-se de D. Jaime Goulart antes da transladação dos seus restos mortais para a Catedral de Díli

Eucaristia de ação de graças, no próximo dia 8 de julho, assinala um momento histórico para a Igreja de Timor-Leste e para a Diocese de Angra

Foto: D. Jaime Garcia Goulart

Os restos mortais de D. Jaime Garcia Goulart, natural da ilha do Pico e primeiro bispo da Diocese de Díli, serão solenemente trasladados para a Catedral da Imaculada Conceição, em Díli, numa iniciativa promovida pela Conferência Episcopal Timorense e pelo Governo da República Democrática de Timor-Leste, com a anuência da Diocese de Angra e da família.

Antes da partida para Timor-Leste, terá lugar, na próxima quarta-feira, 8 de julho, pelas 19h00, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, na cidade da Horta, uma Eucaristia de sufrágio e de ação de graças pela vida e ministério de D. Jaime Garcia Goulart. A celebração será presidida pelo bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, e decorrerá na presença dos restos mortais do antigo prelado, que, no final da cerimónia, serão entregues aos representantes timorenses.

Segundo a informação divulgada pela Conferência Episcopal Timorense e pelo Governo de Timor-Leste, os restos mortais de D. Jaime Goulart ficarão depositados na Catedral da Imaculada Conceição, ao lado dos do segundo bispo de Díli, D. José Joaquim Ribeiro, e de Monsenhor Martinho da Costa Lopes, administrador apostólico de Díli, cujos restos mortais serão igualmente trasladados de Portugal para Timor-Leste.

Natural da freguesia da Candelária, na ilha do Pico, onde nasceu a 10 de janeiro de 1908, D. Jaime Garcia Goulart faleceu em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a 15 de abril de 1997. Foi inicialmente sepultado no Cemitério de São Joaquim, na cidade micaelense, tendo posteriormente a família procedido à exumação e transladação para o jazigo familiar no Cemitério do Carmo, na Horta.

D. Jaime Garcia Goulart exerceu o ministério episcopal em Díli entre 1945 e 1967, período durante o qual deixou uma marca profunda na história da Igreja em Timor. De acordo com as autoridades timorenses, o bispo açoriano contribuiu “para o fortalecimento da fé católica, para a formação espiritual de sucessivas gerações de timorenses e para a preservação dos valores humanos e culturais, que continuam a marcar profundamente a identidade nacional”. Acrescentam, ainda, que “o seu legado permanece vivo na memória coletiva do povo timorense e na gratidão da Igreja que serviu com exemplar dedicação”.

Na mesma nota, a Conferência Episcopal Timorense e o Governo de Timor-Leste sublinham que a presença dos seus restos mortais na Catedral da Imaculada Conceição “constituirá um testemunho perene da missão evangelizadora da Igreja em Timor-Leste e uma forma duradoura de honrar a memória daqueles que consagraram as suas vidas ao serviço de Deus e do povo timorense”.

O pedido de transladação apresentado pelas autoridades timorenses foi apreciado na última reunião do Conselho Presbiteral da Diocese de Angra, realizada em fevereiro, tendo sido decidido que os restos mortais de D. Jaime Garcia Goulart seriam acompanhados por um cálice e pela batina do antigo bispo, peças preservadas na Paróquia de São José, em Ponta Delgada e que constituem importantes símbolos do seu ministério episcopal.

A cerimónia da Horta reveste-se, assim, de um significado histórico, unindo os Açores e Timor-Leste na homenagem a um dos protagonistas da evangelização do território timorense, cuja memória continua a ser profundamente venerada pelo povo que serviu durante mais de duas décadas.

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