Iniciativa convida os portugueses a manifestações de indignação colocando uma peça branca nas janelas das casas ou vestindo de branco este domingo

O Bispo de Angra está unido à iniciativa ‘Somos todos pessoas’ que convida os portugueses a uma «manifestação de indignação» face às tragédias que vitimaram mais de 1500 pessoas este ano, na travessia do Mediterrâneo.

A campanha “somostodospessoas” é uma iniciativa da Agência ECCLESIA, Cáritas Portuguesa, Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP), Comissão Nacional Justiça e Paz, Comissão Nacional Justiça, Paz e Ecologia dos Religiosos, Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Obra Católica Portuguesa de Migrações, Rádio Renascença e Serviço Jesuíta aos Refugiados, apoiada pela Conferência Episcopal Portuguesa, a que se associou o Santuário de Fátima e também a diocese de Angra.

As organizações católicas “apelam a todos os portugueses para que, este domingo, coloquem nas suas janelas um pano branco ou usem uma peça de roupa branca, numa “manifestação de indignação”.

Para as celebrações das missas deste domingo, 26 de abril, é sugerido também  que se inclua uma prece, na oração dos fiéis, por esta causa.

Em declarações concedidas à Agência ECCLESIA, o Cardeal Patriarca de Lisboa sublinhou a importância de tocar “consciências” e de “manter vivo” este problema, para que ele não fique apenas como em outros casos pelo mero “pico mediático, que desaparece passado alguns dias”.

“É trágico que sejam precisas grandes catástrofes para as pessoas, as instituições e os líderes irem por diante em ações que já deviam estar tomadas há muito tempo. O Mediterrâneo não se pode tornar num cemitério”, salientou D. Manuel Clemente.

“Para que saibamos pôr fim ao drama do Mediterrâneo, lutando contra a indiferença e denunciando as injustiças, no cuidado com todos os que buscam melhores condições de vida e na atenção à dignidade humana de cada um dos nossos irmãos e irmãs, oremos”, é a prece proposta.

As instituições promotoras da iniciativa alertam para a atual situação de muitos migrantes que “têm sido ultrajados na sua dignidade humana ao tentarem atravessar fronteiras” à procura das “mais básicas condições para a sua sobrevivência”.

Este ano, mais de 1500 pessoas morreram no Mar Mediterrâneo, um número 50 vezes superior ao de 2014, com destaque para o naufrágio que vitimou cerca de 800 pessoas no último domingo.

O comunicado da organização sugere um marcador (hashtag) para as redes sociais, ‘#somostodospessoas’, citando a intervenção do Papa Francisco no último domingo: “São homens e mulheres como nós, irmãos que procuram uma vida melhor, famintos, perseguidos, feridos, explorados, vítimas de guerras. Procuram uma vida melhor, procuravam a felicidade”.

CR/Ecclesia