Jornada formativa realiza-se a 17 e 18 de janeiro em Ponta Delgada e reúne especialistas de várias áreas da pastoral da igreja

O Instituto Católico de Cultura promove nos dias 17 e 18 de janeiro uma jornada formativa em Ponta Delgada para discutir a vivência religiosa hoje, reunindo especialistas de várias áreas da pastoral e responsáveis por vários serviços diocesanos.

A iniciativa integra uma mesa redonda no dia 17, às 20h30, no Centro Pastoral Pio XII e uma conferência na Igreja Matriz de Ponta Delgada no dia 18, à mesma hora, ambos abertos ao público em geral.

Esta jornada formativa, desenvolvida em parceria com a Igreja Matriz de São Sebastião e o Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, é dirigida a todos os cristãos, desafiando-os a refletirem sobre o modo como vivem a religião e a fé; como se comprometem com a igreja e como conseguem ser testemunhas do Evangelho no quotidiano das suas vidas.

No primeiro dia a mesa redonda, “A vivência Religiosa Hoje” conta com as intervenções do Padre Jorge Cunha, professor de Teologia Moral na Universidade Católica do Porto; Maria do Céu Patrão Neves, professora catedrática de Bio-ética na Universidade dos Açores e membro do Conselho Cientifico do Instituto Católico de Cultura; Padre Hélder Miranda Alexandre, Reitor do Seminário Episcopal de Angra; Duarte Nuno Chaves, investigador integrado do Centro de Humanidades – CHAM na Universidade dos Açores, onde dá aulas e membro da equipa da Comissão Diocesana dos Bens Culturais da Igreja e o Padre Ricardo Tavares, presidente da Comissão Diocesana do Ecumenismo e para o Diálogo Inter-religioso.

“No fundo há um trabalho de conjunto e parceria que começamos a concretizar e que queremos implementar cada vez mais e por isso convidámos os principais responsáveis pelas várias áreas que tocam a fé e a cultura” refere o Diretor do Instituto Católico de Cultura em declarações ao Igreja Açores.

Já no segundo dia, a conferência  “O Cristianismo tem futuro?”será proferida pelo Padre Jorge Cunha, doutor em Teologia Moral e professor da Faculdade de Teologia na Universidade Católica do Porto.

O número de número de católicos tem vindo a diminuir em Portugal em contraponto com outras confissões religiosas, com destaque para o universo protestante, incluindo evangélicos, e para as testemunhas de Jeová, que aumentaram.

O estudo “Identidades religiosas em Portugal, representações, valores e práticas” desenvolvido pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião e pelo Centro de Estudos de Religião e Culturas da Universidade Católica Portuguesa, patrocinado pela Conferencia Episcopal Portuguesa,  baseia-se num inquérito a cerca de quatro mil pessoas com pelo menos 15 anos.

Este trabalho revelou que de 1999 a 2011 os católicos diminuíram 7,4 pontos percentuais passando de 86,9% da população para 79,5%.

Ao contrário da tendência de diminuição de católicos, o número de pessoas com uma religião diferente da católica aumentou três pontos percentuais (2,7% em 1999 para 5,7% em 2011), assim como cresceu o número de pessoas sem qualquer religião (de 8,2% para 13,2%), um aumento que se sentiu em todas as categorias: os indiferentes passaram de 1,7% para 3,2%, os agnósticos de 1,7% para 2,2% e os ateus de 2,7% para 4,1%.

O inquérito mostra um aumento de protestantes/evangélicos que passaram de 0,3% para 2,8% e das testemunhas de Jeová que em 1999 representavam um por cento e agora são 1,5%.

Entre os não crentes, o estudo procurou saber as razões, tendo encontrado três tópicos: autonomia, convicção e desinteresse.

A autonomia face às religiões é o traço mais saliente juntando os que sublinham como “não concordo com a doutrina de nenhuma igreja ou religião” (32,7% dos casos), “não concordo com as regras morais das igrejas e religiões” (22,2%), e “prefere ser independente face às normais e práticas de uma religião” (21,1%).

Os investigadores descobriram ainda que os não crentes e crentes são maioritariamente mais novos, enquanto os católicos estão distribuídos por todos os escalões etários, mas cada vez mais envelhecidos.

O mesmo estudo revela que a maioria das testemunhas Jeová, protestantes e não crentes vivia na zona de Lisboa e vale do Tejo.

Mais de metade (55,2%) da população não crente portuguesa vive em Lisboa e Vale do Tejo, zona ocupada por 62,2% dos protestantes (incluindo evangélicos).

No norte do país estão concentrados 43,6% dos católicos. O estudo aponta ainda que 80% dos católicos vivem em zonas rurais, 66% em zonas urbanas, enquanto as outras religiões se concentram em zonas urbanas.