Iniciativa decorreu este fim de semana no multi festival ZARPAR mas promete estender-se à comunidade escolar do Colégio de São Francisco Xavier

Seguindo o velho adágio popular de que “é de pequenino que se torce o pepino”, as Irmãs de São José de Cluny, responsáveis pelo Colégio de São Francisco Xavier, em Ponta Delgada, promoveram um workshop destinado a pais e educadores sobre como evangelizar bébés, despertando-os para a fé.

A iniciativa decorreu este domingo, no Convento dos Frades, na Lagoa, no âmbito do multi festival jovem Zarpar e teve “casa cheia”, com promessa de se repetir a iniciativa no próximo ano letivo junto da comunidade escolar, admitiu ao Sítio Igreja Açores a responsável por esta formação, Irmã Tânia Encarnação, que é também a coordenadora da creche e berçário, duas valências abertas há um ano no Colégio de São Francisco Xavier.

“Esta é uma área que nós na Universidade, durante o nosso percurso formativo, concretizamos pouco e mesmo quando em termos pastorais falamos em despertar para fé, referimo-nos particularmente a crianças que frequentam o jardim de infância a partir dos 3 anos de idade, descurando as idades anteriores que também são muito importantes”, diz a jovem religiosa, que lidera uma equipa que tem diariamente à sua responsabilidade 41 crianças dos quatro meses aos dois anos.

“Esta idade está muito desperta para a parte sensorial e por isso é aqui que temos de investir com pequenos gestos, pequenas alusões e, sobretudo, apostar numa relação de confiança onde entra, necessariamente, Jesus”, diz a Irmã Tânia Encarnação.

Como é que isso se faz? “De forma muito simples com jogos, com uma linguagem que eles percebam”, sublinha  e sempre em grande relação com os pais e com os educadores, as figuras de referência para qualquer criança.

“Por exemplo, um dos valores essenciais que temos de despertar na criança é a confiança e a segurança. Ela tem de perceber que quando os pais a deixam na escola fica em segurança e os pais apesar de ausentes continuam a ama-la”, refere a religiosa lembrando que neste momento pode-se introduzir o mistério de Jesus.

“A criança não o vê mas se lhe falarmos Dele, como falamos do pai e da mãe que estão ausentes ela poderá perceber que tem mais Alguém que a ama e que gosta dela mesmo não estando ali”, refere.

Isto faz-se através de jogos como “o esconde/esconde”, canções que sejam repetidas num determinado momento do dia e que indiquem a importância desse momento no espaço vivencial da criança, ou de gestos de olhar, de abraçar ou de beijar.

“Gosto muito de um pensamento do Papa Francisco que diz que Evangelizar é dar testemunho da alegria que brota deste encontro com Deus; ora é isto que devemos mostrar às crianças nas nossas relações dando-lhes a pouco e pouco Este Jesus que as ama, as cuida e as protege tanto ou mais que os pais ou que as educadoras, e olhe que a criança percebe isso”, destaca ainda.

Outras das estratégias passa, por exemplo, por integrar a criança no espaço da celebração.

“Ás vezes há pais que não levam os filhos à igreja porque são irrequietos ou fazem barulho. Nós na creche levamo-los bem cedo e os mais velhos, por exemplo antes de chegarem à sala já levam os pais pela mão até à Capela para lhes mostrarem Jesus”, diz.

“Como vê são pequenos gestos, simples e pequenos, como as crianças que podem fazer a diferença despertando-as para a fé. Aliás, até podemos recuar à fase in útero onde a criança pode ter a sua primeira experiência sensorial com Jesus através da mãe e do pai”.

Este ano, a creche tal como toda a comunidade escolar do Colégio de São Francisco Xavier esteve envolvida em várias atividades. Uma delas foi durante a Quaresma e depois da Páscoa, onde se assinalaram vários momentos com estas crianças de tenra idade, desde a Ceia do Senhor ao lava pés.

“A grande novidade desta iniciativa é que eles não se limitaram a participar. Foram protagonistas, naturalmente com uma linguagem totalmente adequada à idade deles”, acrescentou ainda a Irmã Tânia Encarnação.

Este workshop desenvolvido na Lagoa, a convite do Serviço da Pastoral Juvenil, que organizou o festival ZARPAR, poderá ser desenvolvido no âmbito das atividades letivas do próximo ano no Colégio de São Francisco Xavier que neste momento tem um berçário  com 10 bébés, e duas salas de creche com 31 crianças com um e dois anos de idade.