O Papa disse hoje no Vaticano que os católicos devem assumir a dimensão de serviço proposta por Jesus, que se apresentou como um “rei” diferente.

“A sua realeza está realmente além dos parâmetros humanos. Poderíamos dizer que Ele não é um rei como os outros, mas é um rei para os outros”, referiu Francisco, antes da recitação da oração do ângelus.

A intervenção assinalou a solenidade de Cristo-Rei, que encerra o ano litúrgico no calendário católico.

O Papa destacou que Jesus assume a sua realeza, diante de Pilatos, governador romano, “enquanto a multidão grita para condená-lo à morte”.

“Cristo, antes de Pilatos, diz que é rei quando a multidão está contra Ele, ao passo que quando o seguia e aclamava, se afastava desta aclamação”, observou.

Segundo Francisco, Jesus mostrou-se sempre “soberanamente livre do desejo de fama e glória terrena”.

“E nós – perguntemo-nos – sabemos imitá-lo nisso? Sabemos como governar a nossa tendência de sermos continuamente procurados e aprovados, ou fazemos tudo para sermos estimados pelos outros? No que fazemos, especialmente no nosso compromisso cristão, o que conta são os aplausos ou o serviço?”, questionou.

O Papa destacou que o reino proposto por Jesus “nada tem de opressor” e procura pessoas livres.

“Embora Cristo esteja acima de todos os soberanos, Ele não traça linhas de separação entre Ele e os outros; pelo contrário, deseja ter irmãos com quem compartilhar a sua alegria”, precisou.

A intervenção alertou contra as falsidades e duplicidades na vida dos cristãos, chamados a ser “verdadeiros”.

“A vida de um cristão não é um recital em que se pode usar a máscara que mais convém. Porque quando Jesus reina no coração, liberta-o da hipocrisia, dos subterfúgios, da duplicidade”, referiu.

Quando alguém vive sob o senhorio de Jesus, não se torna corrupto, falso, inclinado a encobrir a verdade. Não existe vida dupla”.

Após a oração, o Papa assinalou a beatificação, este sábado, do padre Jan Franciszek Macha, morto aos 28 anos de idade, em 1942, durante a perseguição do regime nazi, na Polónia, paa quem pediu um aplauso da multidão.

“Na escuridão da prisão, ele encontrou em Deus a força e a mansidão para enfrentar aquele calvário. Que o seu martírio seja uma semente fecunda de esperança e de paz”, disse.

Francisco evocou ainda o Dia Mundial da Pesca, saudando “todos os pescadores”.

“Rezo pelos que vivem em condições difíceis, por vezes, infelizmente, de trabalho forçado. Encorajo os capelães e os voluntários do Stella Maris a prosseguir o serviço pastoral a estas pessoas e suas famílias”, declarou.

O encontro com os peregrinos, na Praça de São Pedro, deixou também uma referência ao Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada: “Rezemos por elas e empenhemo-nos para prevenir os acidentes”.

(Com Ecclesia)