O semanário da Paróquia de Vila Franca comemora 100 anos no próximo dia 19 de dezembro

O jornal semanário de inspiração cristã A Crença, de Vila Franca do Campo, na lha de São Miguel, que está a assinalar 100 anos de vida, promove na última edição um inquérito aos seus leitores com vista “à renovação do jornal à entrada para o segundo centenário da sua vida”.

O inquérito pretende abrir um debate “relativo a cinco questões” sobre o futuro desta publicação, a única de inspiração cristã na ilha de São Miguel e um dos dois títulos que restam na diocese de Angra, propriedade da Igreja, como refere, de resto, o seu diretor no editorial que faz nesta edição do dia 14 de agosto, a última antes do período habitual de férias.

“Neste inquérito abre-se, por assim dizer, um debate relativo a cinco questões, das quais três bem concretas: a identidade, os conteúdos e o modelo gráfico e duas outras de carácter mais geral: a hipótese de vir a ser o jornal católico da ilha de São Miguel e o lugar específico da chamada imprensa de inspiração cristã, na Igreja e na sociedade”, explicita o Pe António Cassiano, diretor do jornal há 15 anos.

O inquérito está feito numa folha A4 dentro da publicação, feito pela Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário de A Crença, e resume-se a três questões, subdivididas em várias alíneas, onde inclusive se pede aos leitores para classificarem algumas rubricas do jornal, utilizando uma escala de 0 a 10 como por exemplo a que se refere à nota do diretor; ao comentário ao Evangelho, ao item Graça por Graça, à atualidade da igreja diocesana e da igreja em geral, entre outros.

O responsável pela publicação, que é propriedade da Igreja Matriz de Vila Franca do Campo, antiga capital da ilha de São Miguel, na apresentação do enquadramento do inquérito levanta uma série de outras reflexões paralelas às questões elencadas no inquérito, lembrando por exemplo que A Crença é um jornal católico e assim deve continuar mas “em que medida e de que maneira” ou que “identidade deve ter este jornal”.

Além das questões gráficas, “aspeto que não poderá ser secundarizado” como sublinha o Pe António Cassiano, “já que muita gente responde mais aos apelos da imagem do que à razoabilidade das ideias”, o diretor levanta a questão do alargamento do âmbito do jornal.

O sacerdote recorda que a transformação do jornal de paróquia em jornal de ilha “ultrapassa em muito, a vontade dos atuais responsáveis” e que para já sobre este assunto, apenas “a impressão está garantida. E o resto que é quase tudo?”, questiona.

No desafio deixado aos leitores, entendido como uma espécie de “trabalho de casa” para o futuro, o Pe António Cassiano deixa ainda uma questão sobre o papel e a necessidade da imprensa de inspiração cristã nestas ilhas, seja a que respeita aos media tradicionais seja os novos media, tema que, de resto, animará as Primeiras Jornadas Diocesanas de Comunicação Social, que se realizarão no dia 5 de novembro, na Escola Secundária da Vila Franca do Campo, numa organização conjunta do Serviço Diocesano da Pastoral das Comunicações Sociais e da Ouvidoria de Vila Franca do Campo.

A Crença foi fundada a 19 de dezembro de 1915 pelo Pe Manuel Ernesto Ferreira e pelo Cónego João de Melo Bulhões.