No banco dos réus sentam-se dois jornalistas, um sacerdote e duas colaboradoras do Vaticano

A justiça do Vaticano vai julgar cinco pessoas acusadas de roubarem e divulgarem documentos confidenciais financeiros da Santa Sé, estando marcada uma audiência preliminar para terça-feira, informou hoje o Vaticano.
Os acusados são o padre espanhol Lucio Vallejo Balda, secretário da extinta Comissão Investigadora dos Organismos Económicos e Administrativos da Santa Sé (COSEA), a ex-relações públicas italiana Francesca Chaouqui, o ex-colaborador da COSEA Nicola Maio e os jornalistas italianos Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi.
A COSEA foi criada pelo papa Francisco para investigar o estado das finanças do Vaticano.
Vallejo Balda está em prisão preventiva no edifício da Gendarmaria do Vaticano desde 01 de novembro, enquanto Chaouqui foi detida e posteriormente libertada.
Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi autores dos livros “Via Crucis” e “Avarizia”, respetivamente, com documentos reservados da Santa Sé, estavam a ser investigados desde o passado dia 11 a propósito deste caso, já designado de Vatileaks 2 (em referência ao primeiro, em que foi condenado Paolo Gabriele, mordomo do papa Bento XVI, pelo roubo e divulgação de documentos).
O procurador do Vaticano considerou que os cinco cometeram os crimes entre março de 2013 e 05 de novembro de 2015, um dia antes da publicação dos livros.
De acordo com o procurador, “associaram-se entre eles e formaram uma organização criminosa com composição e estrutura autónoma” e (…) “conseguiram ilegitimamente e posteriormente revelaram notícias e documentos relativos aos interesses fundamentais da Santa Sé e do Estado” do Vaticano.
A primeira audiência realiza-se no próximo dia 24 no Vaticano e se algum dos acusados não estiver presente “será julgado por contumácia”.
CR/Lusa