Encontro com líderes budistas da Mongólia sublinhou “cultura do encontro” e reconheceu Jesus e Buda como “promotores da não-violência”

 

O Papa Francisco recebeu esta manhã líderes budistas da Mongólia, num encontro para aprofundar “relações de amizade”, promover a compreensão mútua e a colaboração para a construção de uma sociedade pacífica.

“Como líderes religiosos, profundamente arraigados nas nossas respetivas doutrinas religiosas, temos o dever de despertar na humanidade o desejo de renunciar à violência e construir uma cultura de paz”, afirmou esta manhã, o Papa Francisco, à delegação de líderes budistas da Mongólia, acompanhada por D. Giorgio Marengo, prefeito apostólico de Ulaanbaatar, por ocasião do 30º aniversário da Prefeitura Apostólica no país e para consolidar as relações diplomáticas entre a Santa Sé e a Mongólia.

Assinalando ser a primeira visita ao Vaticano de representantes oficiais do budismo mongol, e tendo consciência de que “a presença de comunidades mais formais de fiéis católicos é bastante recente, com um número exíguo, mas significativo”, o Papa centrou as suas palavras no valor da paz, comum entre as duas religiões, recordando que Jesus e Buda, foram construtores de paz e promotores da não-violência.

“Jesus ensinava que o verdadeiro campo de batalha, em que a violência e a paz se defrontam, é o coração humano. Ele pregou, sem cessar, o amor incondicional de Deus, que acolhe e perdoa, e ensinou os discípulos a amar seus inimigos”, assinalou o Papa francisco no discurso publicado pela Sala de imprensa da Santa Sé.

Também a mensagem central de Buda era a não-violência e paz: “Ele ensinou que «a vitória deixa um rastro de ódio, porque o derrotado sofre. Deixem, pois, de lado todos os pensamentos de vitória e derrota e vivam em paz e na alegria». Buda ressaltou ainda que a conquista de si é bem maior que a dos outros: «É melhor vencer a si mesmo do que mil batalhas contra milhares de homens»”.

Francisco sublinhou que a paz é hoje “o ardente desejo da humanidade”.

“Através do diálogo, a todos os níveis, é urgente promover uma cultura da paz e da não-violência. O diálogo deve levar todos a rejeitar a violência, em todas as suas formas, inclusive a violência contra o meio ambiente. Infelizmente, ainda há pessoas que continuam a abusar e utilizar a religião para justificar atos de violência e de ódio”, lamentou.

O Papa valorizou a cultura do encontro e reforçou a amizade “para o bem de todos”.

“A Mongólia tem uma longa tradição de coexistência pacífica entre as diferentes religiões. Faço votos de que esta antiga história de unidade na diversidade possa continuar, hoje, com uma efetiva implementação da liberdade religiosa e a promoção de iniciativas conjuntas para o bem comum”, finalizou.

(Com Ecclesia)