Por Renato Moura

O I Congresso Diocesano da Juventude certamente despertou muita expectativa. Não apenas por ser o primeiro, também pela proximidade do Sínodo dos Bispos sobre os jovens.

A realização significa, por um lado, a importância que se está a dar às preocupações do Papa Francisco sobre a juventude e à busca de respostas adequadas às suas ânsias e problemas. Por outro lado, comprova a adesão dos jovens da Diocese a um encontro de âmbito açoriano, onde se identificassem realidades, partilhassem ideias e se gizassem projectos para um compromisso a que chamaram “Por uma Igreja +”.

No comunicado final do Congresso, que não é extenso, cuidou-se de resumir o saudável ambiente humano e espiritual em que decorreu, sintetizar um compromisso de solidariedade com todos os jovens açorianos e transmitir-lhes confiança e esperança. A identificação clara e sintética dos pedidos de solidarização, que os jovens lançaram, constitui a centralidade do documento, que nos pareceu bastante bem elaborado.

É extremamente significativo que o comunicado permita concluir que, ao contrário do que por vezes se pensa, os jovens consideram a espiritualidade como um valor e não querem constituir-se em grupo separado e indisponível para o diálogo com instituições e pessoas. Isso fica demonstrado nomeadamente quando deixam um conjunto de pedidos, não só à Igreja em geral, como a cada um dos seus níveis de actuação, nomeadamente a Diocese, as ouvidorias e as paróquias. Mas também fazem apelos ao funcionamento em unidade da família e instituem os padres como agentes directos de intervenções.

Para a família, que destacaram como prioridade e foco de especial atenção, resumiram em apenas três os pedidos, de crucial importância e atingindo o núcleo central da crise. Reproduzimos: “Maior acompanhamento do nosso percurso humano e espiritual”, “Momentos de reflexão em família, com a família e para a família” e “Participação na Eucaristia”. Significa que os jovens desejam ser acompanhados nas alegrias e nos dilemas, consideram a família para pensar sobre ela, não gostam de ser mandados para a missa sem os seus pais. Ressalta, em todos os pedidos, o desejo do bom exemplo que se busca de cima e é o mais eficaz.

Para a Igreja, suas instituições e padres, fica um conjunto vasto de apelos, que sem hierarquizar se pode porventura destacar a “Compreensão das realidades juvenis”, a “Proximidade”, ou a “Maior representatividade e responsabilização dos jovens”.

Remetentes e destinatários façam agora do comunicado um manual e teremos uma Igreja +.