A festa decorreu na paróquia das cinco Ribeiras este sábado e contou com a presença de dirigentes nacionais

O Movimento Vida Ascendente assinalou o seu primeiro aniversário na ilha Terceira com uma celebração realizada na paróquia das Cinco Ribeiras, reunindo participantes num momento de ação de graças, convívio e reflexão sobre a missão dos idosos na Igreja e na sociedade.
A Eucaristia comemorativa contou com a presença do assistente nacional do movimento, o Cónego António Janela, sacerdote do Patriarcado de Lisboa, acompanhado por dois elementos da Direção Nacional.
Na sua intervenção, o Cónego António Janela felicitou o grupo terceirense pelo percurso realizado no espaço de um ano, manifestando a sua alegria pela vitalidade demonstrada.
“Quando aqui cheguei e vi esta moldura humana também eu fui tocado pelo Espírito Santo. Ao fim deste primeiro ano, tendes razões para escrever, de forma solene, um ano de exemplo. Sois um exemplo pelo que, em apenas um ano, conseguistes realizar”, afirmou.
O assistente nacional defendeu que a Igreja deve responder às profundas mudanças demográficas que marcam a sociedade portuguesa, considerando que chegou o momento de criar uma verdadeira pastoral dedicada aos idosos.
“Em Portugal já não existe uma pirâmide etária; existe uma `urna´ etária pois mais de um terço da população tem mais de 65 anos. Por isso, chegou o momento de a Igreja ter uma pastoral dos idosos. Há uma pastoral dos jovens, que começa na família, mas também tem de haver uma pastoral dos idosos”, sublinhou.
Segundo o sacerdote, esta pastoral deve ser entendida como um caminho de renovação espiritual e missionária.
“A pastoral dos idosos é centrada num renascimento. O Movimento Vida Ascendente tem como preocupação a evangelização e um renascer para quem se vai aproximando do outono da vida”, explicou, recordando que a reforma representa uma nova forma de presença na família, na Igreja e na sociedade.
“Somos reformados, mas isso significa apenas uma nova forma de estar presente. Já poderemos não ser produtivos, mas continuamos ativos.”
Ao longo da sua reflexão, António Janela insistiu na fidelidade ao tripé que caracteriza o Movimento Vida Ascendente: amizade, fraternidade e espiritualidade.
“O Movimento tem de ser fiel ao seu tripé: crescermos na amizade, sermos capazes de vencer a doença da solidão. Ninguém está só. Não somos uma ilha, pertencemos a um continente”, afirmou, acrescentando que “a amizade, a fraternidade e a espiritualidade ajudam-nos, no outono da vida, a preparar a mais bela primavera, que é a vida eterna”.

Outro dos desafios destacados foi a necessidade de integrar os idosos no novo ambiente digital. O assistente nacional apelou aos membros mais jovens do movimento para que ajudem os mais velhos a utilizar as novas tecnologias, promovendo a inclusão e a participação.
“Temos de saber utilizar a internet e as novas formas de convívio. É preciso que os mais novos reformados ensinem os mais velhos. Usemos as novas tecnologias para evangelizar o continente digital”, afirmou, defendendo que o mundo digital constitui hoje um espaço privilegiado para a evangelização e para o combate ao isolamento.
Por seu lado, o diácono Eriberto Brasil afirmou que o Movimento Vida Ascendente, na ilha Terceira, nasceu da iniciativa de pessoas de boa vontade e continua a distinguir-se por ser um espaço pensado para os reformados.
“O nosso movimento nasceu do nada, pela vontade de pessoas disponíveis. Há muitos movimentos na Igreja, mas este é direcionado para quem está reformado, para a nossa espiritualidade, para os nossos programas e para a nossa ação. Ser reformado implica continuar ativo. Não estamos diminuídos; continuamos disponíveis para servir”, referiu.
Criado há 50 anos em França, o movimento “Vida Ascendente” está empenhado na dignificação de todos os reformados e assenta o seu programa de ação em três pilares: a espiritualidade, o apostolado e a amizade.