Leão XIV evocou novo beato vietnamita e vítimas das perseguições religiosas

O Papa alertou hoje no Vaticano para o risco de a sabedoria humana se transformar em sobranceria, afirmando que as pessoas cheias das suas próprias ideias se tornam incapazes de reconhecer a presença de Deus.
“Os sábios e os doutores estão tão cheios das suas próprias ideias que não reconhecem a presença de Cristo, o Messias que visita o seu povo. A sabedoria humana torna-se então arrogância e a doutrina degrada-se em soberba”, declarou Leão XIV, antes da recitação da oração do ângelus.
“A verdadeira sabedoria de Deus revela-se, pelo contrário, na humildade da carne, e o seu ensinamento dirige-se a quantos mais sofrem”, acrescentou, falando desde a janela do Palácio Apostólico para os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
O pontífice centrou a sua meditação no “jugo” de Jesus, questionando a forma como o peso da cruz pode ser considerado “leve” e “suave”.
“Como verdadeiro mestre, Jesus toma sobre Si a humanidade ferida pelo mal, para dela cuidar. A sabedoria que Ele nos oferece é, por isso, um anúncio de salvação, e o seu jugo levanta-nos de cada queda”, indicou.
“O nosso caminho não é, portanto, uma ascese que mortifica: é uma escola de liberdade, que leva a sério o drama da história e lhe ilumina sempre o sentido, sobretudo nos momentos mais obscuros. Com efeito, só na cruz de Jesus o mal é redimido: só na sua paixão o nosso cansaço mortal encontra consolação e redenção”, afirmou.
Após a oração mariana, Leão XIV evocou a beatificação do sacerdote Francisco Xavier Tru’o’ng Bǚu, celebrada na última quinta-feira, no Santuário de Tac Say, no Vietname; o novo beato foi assassinado em 1946, “por ódio à fé”.
O Papa destacou que, num contexto de violência, o mártir “colocou-se como defensor dos direitos do povo e não abandonou os seus paroquianos”.
“Que a sua intercessão e a sua oração sustentem os trabalhadores do Evangelho que, ainda hoje, se encontram em situações de perseguição”, referiu no último ângelus antes de ir de férias.

O Papa inicia este domingo um período de férias, na residência pontifícia de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, onde permanece até 27 de julho.
“Durante este período, ficam suspensas todas as audiências gerais, privadas e especiais. As audiências gerais serão retomadas na quarta-feira, 5 de agosto”, assinala uma nota da Prefeitura da Casa Pontifícia.
Nos domingos de julho, o ângelus será recitado, com os peregrinos, na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo.
A localidade nas margens do lago Albano é escolha dos Papas para o período estival desde Urbano VIII (1623-1644), num castelo que pertence à Santa Sé, com direito de extraterritorialidade.
Cada castelo da região tem o nome do senhor da fortaleza – no caso da residência pontifícia era a família Gandulfi, natural de Génova.
Cerca de 1200, os Gandulfi construíram o seu pequeno castelo que, no século seguinte passou para a família Savelli, a qual manteve esta edificação até 1596; nesse ano, por causa de uma dívida que a família não conseguiu pagar ao Papa Clemente VIII (1592-1605), a propriedade passou para o pontífice e, em 1640, foi declarada propriedade inalienável da Santa Sé.
João Paulo II, Papa entre 1978 e 2005, passou vários períodos do ano em Castel Gandolfo e Bento XVI (2005-2013) costumava passar as suas férias de verão nesta localidade, que o acolheu nas primeiras semanas após a renúncia ao pontificado.
Leão XIV tem escolhido Castel Gandolfo para passar um dia semanal de repouso e estudo.
(Com Ecclesia)