Teólogo desafia cristãos a olhar para os problemas do mundo a partir do lugar onde se encontram, numa “lógica de corresponsabilidade”

Juan Ambrósio, professor de Teologia na Universidade Católica Portuguesa, afirmou esta terça-feira, em Ponta Delgada, que a família “é a expressão da sinodalidade” e a melhor imagem para representar Deus.
“A família cristã mostra a verdadeira nobreza da Igreja, seja destacando o valor do amor entre esposos mas também entre irmãos” esclareceu o teólogo que fez a segunda de três conferências na diocese de Angra sobre “Igreja Doméstica e Sinodalidade”, inspirado na primeira palestra do congresso pastoral que acontecerá em Roma em junho, durante o Encontro Mundial das Famílias.
Para o professor da Universidade Católica Portuguesa, que realizou uma conferência sobre “Igreja Doméstica e Sinodalidade”, a convite da equipa que lidera o Serviço Diocesano da Pastoral familiar, o percurso sinodal proposto pelo Papa Francisco tem de envolver as famílias. Ao simbolizarem a expressão da comunhão, as famílias podem ser um instrumento precioso no combate a uma certa autorreferencialidade da Igreja, acrescentou ainda.
“A família ocupa um papel fundamental no ecossistema de Francisco” destacou ao sublinhar que “o bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja.”
“A pastoral da Família é um dos pulmões da vida da Igreja”, disse lembrando as três propostas do Papa Francisco à Igreja na preparação do Sínodo: comunhão, missão e participação.
“A sinodalidade não é apenas uma metodologia; é um modo de ser” explicitou ao destacar que a sinodalidade implica corresponsabilidade, isto é “olhar para os problemas reais do mundo a partir do lugar onde cada um se encontra”.
O desafio é deixado, por isso, a três coletivos: famílias, jovens e idosos.
“Estes três coletivos são decisivos na grande mudança a que a Igreja é desafiada pelo Papa Francisco” disse, por outro lado, lembrando os quatro grandes sonhos deste pontificado, expressos nos vários documentos com a assinatura do Papa Argentino.
“Hoje precisamos de uma conversão pastoral, cultural, ecológica e sinodal; tudo isto desemboca num sonho de Francisco”, afirmou.
“Não se trata de converter toda a gente, mas de proporcionar a todos a experiência de um mundo novo com sabor a Evangelho, isto é, ser misericórdia, ser santo, ser cuidador”, referiu.
Mas, alerta: “Se em 2023, depois do Sínodo ficar tudo na mesma é a própria credibilidade cristã das comunidades que fica em causa. Não pode ficar tudo na mesma”, concluiu ao destacar a importância de um `Pacto Educativo Global´ para este processo.
“Temos de ser capazes de colocar as pessoas no centro, ouvir as pessoas mais novas, promover a mulher, responsabilizar a família, abrirmo-nos ao acolhimento, renovar a economia e a política e cuidar da casa comum”, disse.
Na apresentação da conferência o assistente da equipa da família na diocese de Angra, Monsenhor José Constância, lembrou a importância da família e agradeceu a participação expressiva de inúmeros leigos e religiosos que se dispuseram a “aprender mais” numa “lógica de aprofundamento do que é ser Povo de Deus”.
“Estas iniciativas são verdadeiras sementeiras do nosso crescimento” referiu.
Esta foi a segunda conferência proferida pelo Teólogo, que é professor na Universidade Católica Portuguesa e que acompanha o grupo de professores de Educação Moral e Religiosa Católica na diocese, que se encontram em Formação. No próximo dia 11, esta mesma conferência será proferida no Centro Pastoral das Fontinhas, na ouvidoria da Praia da Vitória, na ilha Terceira.
O documento preparatório do Sínodo 2021-2023, “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”, aponta para uma vivência de um “processo eclesial participativo e inclusivo, que ofereça a cada um, de maneira particular àqueles que, por vários motivos, se encontram à margem, a oportunidade de se expressar e de ser ouvido, a fim de contribuir para a construção do Povo de Deus”.
“Uma etapa fundamental será a celebração da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2023, a que se seguirá a fase de execução, que envolverá novamente as Igrejas particulares”, pode ler-se nos documentos de trabalho do Sínodo.
Um dos momentos importantes deste processo sinodal é o Encontro Mundial das Famílias, que vai decorrer de 22 a 26 de junho deste ano e os vários formatos de implementação nas Igrejas particulares de Portugal.