Pelo padre Rui Silva

A semana que antecedeu o dia 30 de junho do ano de 1996 foi de muito trabalho e dedicação. Os seminaristas não tinham mãos a medir. Entre ensaios do grupo coral e acólitos, e a apanha das flores, para os tapetes que seriam feitos da Igreja da Misericórdia até à Igreja da Sé Catedral, e os festejos das Sanjoaninas, tudo se fez. Os Açores despediam-se de Dom Aurélio Granada Escudeiro e preparavam-se para receber o desconhecido António de Sousa Braga. Um desconhecido que rapidamente se tornou conhecido e amigo. Afinal, esperávamos um açoriano. A ilha de Santa Maria, também conhecida por ilha de Gonçalo Velho, na freguesia de Santo Espírito, da paróquia de Nossa Senhora da Purificação, entregava e dava um filho seu ao episcopado. Que honra e que alegria!

António de Sousa Braga, foi feito bispo para os Açores. Ele estava com os Açores e os Açores estavam com ele. Por onde andava, primava pelas três marcas que sempre o caracterizaram: simplicidade, proximidade e acolhimento. Três sinais a cair em desuso. Basta lembrar alguns momentos trágicos que aconteceram durante o seu episcopado: derrocada na Ribeira Quente em 1997, o sismo no Faial em 1998 e o acidente da SATA na ilha de São Jorge, em 1999. Dom António, fazia-se presente e não arranjava desculpas para ausentar-se. Não era um homem de protocolos. A sua proximidade lembra ainda a presença de um pai. A sua bondade recorda o que é ser um homem de Deus. E a sua humildade convoca um bispo que veio para servir e não para se servir. António, ficou no coração dos açorianos. E os açorianos estão no coração de António de Sousa Braga, o nosso bispo velhinho, como por aqui (Santa Maria) também é conhecido.

Nunca receou as multidões. Nunca teve medo de apertos. A nota principal na sua agenda era estar com as pessoas. Escutá-las. Olhá-las. Fazer das suas inquietações oração, das suas lágrimas preces. Dos seus sorrisos a alegria de acreditar no mesmo Deus. O bispo António conheceu o seu povo como ninguém, porque nunca tinha pressa.

Em 20 anos de bispo, nunca ouvi Dom António falar na rigidez da autoridade. Preferia falar na rigidez do amor e da compreensão. Ele sabia emendar os corações divididos. Nunca ficou com a última palavra, porque procurou sempre alternativas dialogantes.

António, bispo emérito de Angra, percorreu durante vinte anos as nove ilhas dos Açores, como um pastor incansável. Em 20 anos pouco descansou. E aquilo que lhe foi dado descansar, foi na sua querida Maia, vinhedo de Santo Espírito, na frescura da brisa e no cheiro a maresia.

O ano passado, celebrávamos na sua terra natal, as suas bodas de ouro de ordenação presbiteral (ordenado padre pelo Papa Paulo VI, em Roma, em 1970 – recorde-se que Dom António é religioso dehoniano). Hoje, 30 de junho de 2021, na Ermida de Nossa Senhora de Fátima, na sua ilha natal, celebramos os 25 anos de episcopado e festejamos a vida de Dom António de Sousa Braga.

Parabéns Dom António.

Reza por nós que nós rezamos por ti.

Do teu pároco, para o meu bispo emérito, um grande abraço fraterno.