Ouvidor de Ponta Delgada promove ação de formação conjunta com a pastoral social para assinalar II Dia Mundial dos Pobres

Evitar análises sociológicas sem as consequentes ações concretas de proximidade e avaliações pessimistas sem um sinal de esperança deve ser o primeiro passo de uma intervenção da igreja na luta contra a pobreza é a principal conclusão saída do encontro formativo organizado esta quinta feira, em Ponta Delgada, pela Ouvidoria e pelo Serviço Diocesano da Pastoral Social.

A iniciativa, que contou com a participação de 18 agentes da pastoral social da ouvidoria, nomeadamente conferências Vicentinas, Cáritas, Legião de Maria, Centros Sociais e Paroquiais, entre outros, da Fajã de Baixo, Nossa Senhora de Fátima, Relva, Santa Clara, São José, São Pedro, para além das religiosas do Bom Pastor, inseriu-se no âmbito da Escola de Formação Cristã da Ouvidoria, com vista à celebração do Dia Mundial dos Pobres que se assinala no domingo, dia 18.

Esta ação pretendeu, por um lado “situar a Pastoral Social” na ouvidoria de Ponta Delgada, e responder às questões enviadas em conjunto com a Pastoral Social. Em causa estava a resposta a três questões formuladas pelo Serviço Diocesano: quais as problemáticas sentidas em cada paróquia; que contributos pode ceder cada paróquia e como articular no terreno e em rede o trabalho entre todos.

A partir das três questões colocadas a avaliação, transversal aos movimentos e paróquias,  é a de que os problemas sociais “continuam a existir” e a Igreja prossegue a sua “acção assistencialista” mas continua-se “ a não olhar para os problemas na sua raíz”. Por outro lado, as problemáticas estão diagnosticadas: “pobreza”, “desemprego”, “trabalho precário”, “tóxicodependência”e “pobreza envergonhada”.

Vitória Furtado, diretora do Serviço Diocesano da Pastoral Social, sublinhou este último aspecto- pobreza envergonhada- desafiando a Igreja a estar “mais atenta a estes casos”.

“A deteção da existência de casos de pobreza envergonhada é uma conclusão principal” e, se calhar, “a igreja tem de estar mais atenta a estes casos” e porventura “não olhar apenas para aqueles que, sendo importantes, já estão totalmente identificados e a ser acompanhados”, isto é, famílias que já estão sinalizadas como pobres, recebem o apoio e o acompanhamento mas ainda não conseguem ser autónomas.

A responsável pela pastoral social diocesana lembrou, ainda, a necessidade de uma “maior partilha de recursos entre paróquias, maior conhecimento dos serviços públicos que dão resposta para um melhor encaminhamento, mais trabalho em rede, mais informação e formação às famílias, maior proximidade, mais diálogo” por forma a dar respostas mais efetivas aos problemas sociais da diocese.

Vitória Furtado enfatizou também a necessidade de um olhar diferente sobre os idosos e a identificação de iniciativas locais geradoras de emprego, como metas desafiadoras para o combate aos problemas sociais.

A diretora da Pastoral Social recordou, por outro lado, os dados do Diagnóstico Local de 2016 e apresentou os eixos do programa do Governo Regional dos Açores para o Combate à Pobreza.

Na segunda parte da sessão de formação o ouvidor de Ponta Delgada, cónego José Medeiros Constância, propôs uma reflexão em “10 pontos” sobre a Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Pobres e sobre as linhas de ação da Igreja no combate à pobreza.

“O Papa não criou o dia mundial dos pobres para nos por a rezar por eles, mas para dizer que é um escândalo do mundo os ricos estarem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. E que os pobres podem ser protagonistas, isto é, ter toda a força se foram acompanhados. E nós temos esta obrigação como igreja e como ouvidoria”, disse o cónego José Medeiros Constância.

Para o sacerdote o essencial da mensagem do Santo Padre situa-se na frase do Evangelho de Marcos “Coragem, levanta-te que ele chama-te”   pois no ADN dos cristãos tem de estar a capacidade  “de escuta a este clamor” dos pobres, que devem ser protagonistas das suas próprias vidas.

O Papa vai assinalar o Dia Mundial dos Pobres, este domingo, 18 de novembro, com uma Missa solene na Basílica de São Pedro, em Roma.

No Texto orientador para a celebração deste 2.º Dia Mundial dos Pobres, Francisco sublinha as “consequências sociais dramáticas” da pobreza e condena o que qualifica como “aversão” aos pobres.

“Quantos percursos conduzem a formas de precariedade: a falta de meios elementares de subsistência, a marginalidade quando se deixa de estar no pleno das próprias forças de trabalho, as diversas formas de escravidão social, apesar dos progressos levados a cabo pela humanidade”, frisa o Papa argentino.

No mesmo documento, Francisco lamenta a “aversão aos pobres” que hoje marca vários setores da sociedade e exorta a um “sério exame de consciência”.

Em Portugal, o Dia Mundial dos Pobres vai marcar a agenda de várias dioceses, de norte a sul do país, incluindo as das Regiões autónomas.

O Dia Mundial dos Pobres foi instituído pelo Papa Francisco há dois anos, inspirado pelo Ano Santo da Misericórdia, que decorreu entre 2015 e 2016.

“Não podemos esquecer-nos dos pobres: trata-se dum convite hoje mais atual do que nunca, que se impõe pela sua evidência evangélica”, apontou na altura o Papa argentino.

No calendário, a iniciativa está marcada sempre para o penúltimo domingo do ano litúrgico.