Pelo Cón. Gregório Rocha

 Depois de um período de escuta para tomar maior consciência das feridas que afetam as famílias de hoje e para encontrar formas de ajudar a sanar essas mesmas feridas, o sínodo dos Bispos traz-nos no seu Relatório Final a beleza e a importância sempre atuais da família, sem deixar de apresentar o caminho que ainda pode e deve ser feito.

Neste sentido, o referido relatório, na sua Parte III, debruça-se sobre a questão da preparação para o matrimónio e o acompanhamento dos casais nos primeiros anos de vida conjugal dizendo que «a eficácia desta ajuda requer que seja melhorada a catequese pré-matrimonial – por vezes pobre nos conteúdos – que faz parte integrante da pastoral ordinária» (nº57).

Deduz-se do número supra-citado que esta catequese não pode nem deve ficar limitada aos chamados Cursos de Preparação para o Matrimónio. Estes não devem ser vistos como um momento isolado mas fazendo parte de um itinerário que já venha das famílias de origem e das comunidades. No entanto, a existência destes Cursos, que requerem urgência na revisão da sua linguagem e dos seus temas, pode ser o ponto de partida para uma reflexão que leve a estruturar melhor esse itinerário. Talvez começando por nos perguntarmos que falta ou falha nestes referidos Cursos? Como inserir o CPM neste itinerário?

O Relatório (nº 57) citando a «Familiaris Consortio» no seu número 66 apresenta as três etapas deste itinerário: «a preparação remota, que passa pela transmissão da fé e dos valores cristãos no interior da própria família; a preparação próxima, que coincide com os itinerários da catequese e das experiências formativas vividas na comunidade eclesial; a preparação imediata ao matrimónio, parte de um caminho mais amplo qualificado pela dimensão vocacional».

Se é certo que a grande maioria dos noivos chega aos CPM’s «obrigada», não é menos verdade que um grande número muda de atitude com o decorrer do Curso. Aqui estará certamente um desafio para encontrarmos formas ou meios de prolongar esta caminhada.

«Os primeiros anos de matrimónio são um período vital e delicado durante o qual os casais crescem na consciência da sua vocação e missão. Daqui a exigência de um acompanhamento pastoral que continue depois da celebração do sacramento» (nº60).

Diante desta orientação do Sínodo parece que cabe à paróquia e consequentemente à pastoral familiar nela organizada criar as condições de acolhimento aos referidos casais. Importa, por isso, encontrar casais mais experientes e amadurecidos na sua caminhada que possam «encorajar os novos esposos ao acolhimento do grande dom dos filhos… que testemunhem a importância da espiritualidade familiar, da oração e da eucaristia dominical» (nº 60).

A forma que parece oferecer maior eficácia é motivar e proporcionar encontros regulares dos casais mais novos, ajudados pelos casais mais experientes, não só no âmbito da vida conjugal mas também no da vida eclesial, a partir de pequenos grupos.

O aproveitamento dos grupos constituídos nos CPM’s poderia, porventura, ser o ponto de partida para ensaiar novas formas de acompanhamento.

Para ajudar a atingir estes objetivos o Sínodo chama a atenção para a necessidade de uma maior formação de todos os agentes da pastoral em ordem a facilitar a integração de todas as dimensões da Família (nº61).

 

*Diretor Espiritual no Seminário Episcopal de Angra e responsável pelos CPM´s na ilha Terceira