Por Renato Moura

A prestigiada Fundação Francisco Manuel dos Santos divulgou, recentemente, os resultados preliminares do Estudo sobre os “Impactos económicos, sociais e políticos da Covid-19 em Portugal”. Alguns dos resultados obtidos da sondagem são no mínimo surpreendentes.

Três quartos dos inquiridos afirmam estar “razoavelmente” ou “totalmente satisfeitos” com as medidas tomadas pelo Governo no combate à pandemia. 65% consideram “pouco ou nada provável” que um ou mais elementos do agregado familiar permaneça ou fique desempregado nos próximos seis meses. Quanto às perspectivas de evolução da economia portuguesa no próximo ano há 38% a pensar que estará melhor, 26% a considerar que não vai melhorar nem piorar e só 31% que estará pior.

Para 47% o coronavírus foi criado em laboratório como arma biológica. No concernente à medida como a pandemia afectou a democracia no nosso País, há 43% considerando ter sido enfraquecida, mas 42% avaliam ter ficado na mesma e até 15% a admitem como saindo reforçada. Haverá 60% satisfeitos com a forma como a democracia funciona em Portugal. As limitações às liberdades públicas são admitidas por 86%, como tendo sido “completamente justificadas” ou “justificadas”.

As mais recentes sondagens atribuem ao PS cerca de 35% das intenções de voto, ao PSD pouco mais de 22%; o Chega passaria a terceira maior força, com cerca de 11% e o BE em quarta com cerca de 9%.

As sondagens valem o que valem – sempre se disse – todavia são a melhor forma de medir a opinião pública, pelo menos fora de eleições. Um exame detalhado e aprofundado das sondagens e dos estudos permitirá retirar conclusões mais finas e esclarecedoras. Seja como for, os órgãos de soberania e de governo não podem deixar de reflectir sobre os sinais das sondagens. E não podem ficar-se pelas avaliações simpáticas, pois levam ao comprazimento e a deixar tudo como está, ou até a endurecer medidas.

Mais do que os governantes, tem de ser o povo a meditar sobre os números resultantes de estudos sobre a opinião pública. Temos visto, pelo mundo fora, eleições democráticas levarem ao poder ditadores. A defesa e conservação das liberdades públicas cabe a cada um; a passividade e o desleixo de muitos acobertam os vários totalitarismos. Se for verdade que em Portugal 42% consideram boa ou muito boa a ideia de que o País seja governado por um líder forte, que não tenha de se preocupar nem com o Parlamento nem com as eleições, há motivo para grande apreensão. Cuidado: depois de criado o caldo, já só ficaria a faltar o ditador!