O Papa escreveu o prefácio do livro ‘Sou Joy’, com a história de uma mulher nigeriana forçada à prostituição, na Itália, denunciando a “tragédia da invisibilidade do tráfico” de pessoas.

Francisco traça o percurso de Joy, jovem nigeriana que deixou o seu país com a promessa de emprego e acabou nas ruas da Itália.

“A jovem é salva graças à fé em Deus e ao encontro com uma comunidade de acolhimento em Caserta”, assinala o portal de notícias do Vaticano.

O Papa escreve que esta história é uma “herança da humanidade”, com a sua “dramática experiência de viagem”: a travessia do deserto, os meses passados nos campos de detenção da Líbia, a viagem no mar, durante a qual foi salva do naufrágio.

“É uma história que une muitas outras pessoas, como ela, sequestradas numa corrente infernal e atingidas pela tragédia da invisibilidade do tráfico. Uma história tão desconhecida quanto omnipresente nas nossas sociedades globalizadas”, denuncia.

Francisco fala numa ‘Via Sacra’ de “muitos irmãos e irmãs mais vulneráveis” que seguem “caminhos de desumanização”.

O texto denuncia os traficantes e os homens que procuram as prostitutas, “dispostos a comprar outra pessoa, aniquilando-a na sua dignidade inalienável”.

Em agosto de 2016, Francisco visitou a Comunidade Papa João XXIII, onde conversou com 20 mulheres de várias nacionalidades que foram “libertadas de redes de prostituição”.

Depois desta experiência, o Papa assinou o prefácio do livro “Mulheres crucificadas”, divulgado em 2019.

“Libertar estas pobres escravas é um gesto de misericórdia e um dever para todos os seres humanos de boa vontade. O seu grito de dor não pode deixar indiferente nem os indivíduos nem as instituições”, referia o texto.

(Com Ecclesia)