O secretário particular de Bento XVI informou que o Papa emérito não autorizou que o seu nome apareça como coautor do livro ‘Das profundezas dos nossos corações’, do cardeal Robert Sarah, que vai ser publicado esta quarta-feira.

“Posso confirmar que nesta manhã, por indicação do Papa emérito, pedi ao cardeal Robert Sarah para contactar os editores do livro, pedindo-lhes que retirem o nome de Bento XVI como coautor do livro, e também que retirem a sua assinatura da introdução e das conclusões”, disse o arcebispo Georg Ganswein.

O secretário particular de Bento XVI e prefeito da Casa Pontifícia contextualizou que o Papa emérito “sabia” que o cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (Santa Sé), estava a preparar um livro e “tinha enviado um pequeno texto seu sobre o sacerdócio, autorizando-o a usá-lo como o desejasse”.

“Mas ele [Bento XVI] não tinha aprovado nenhum projeto para um livro assinado conjuntamente nem tinha visto e autorizado a capa. Foi um mal-entendido, sem questionar a boa-fé do cardeal Sarah”, desenvolveu D. Georg Ganswein, numa declaração enviada às agências Kna e Ansa, divulga o ‘Vatican News’.

O livro ‘Das profundezas dos nossos corações’ vai ser publicado esta quarta-feira, 15 de janeiro, pela editora Fayard.

O novo livro, que teria sido escrito em coautoria pelo Papa emérito Bento XVI, rejeita a ideia de ordenação sacerdotal de homens casados, tema que esteve em destaque no Sínodo especial sobre a Amazónia (outubro de 2019).

A questão do celibato ocupa todo o volume, com dois textos, um do Papa emérito e outro do cardeal, com uma introdução e conclusão assinadas pelos dois.

Em entrevista ao ‘Le Figaro’, que publicou passagens da obra, o cardeal Sarah fala em “crise impressionante” e diz que este livro é “um grito de amor para a Igreja, o Papa, os padres e todos os cristãos”.

Às notícias que o Papa emérito não tinha autorizado a publicação do livro sobre a ordenação sacerdotal de homens casados, o prefeito da Congregação para o Culto Divino, escreveu na sua conta na rede social Twitter: “Ataques parecem implicar uma mentira da minha parte”.

“Essas difamações são de gravidade excecional. Dou esta noite as primeiras provas da minha estreita colaboração com Bento XVI para escrever este texto em favor do celibato. Falarei amanhã, se necessário. RS +”, acrescentou o cardeal guineense, divulgando correspondência trocada com Bento XVI. Os pormenores foram revelados depois num comunicado de cinco parágrafos, no qual indica as várias etapas até à publicação do livro.

(Com Ecclesia e Vatican News)