O Papa denunciou hoje no Vaticano o “escândalo” das migrações forçadas, evocando as vítimas “da guerra, do ódio e da fome” que têm de deixar a sua terra.

“Pensemos em tantas pessoas que são vítimas de guerras, que querem fugir da sua terra natal e não podem; pensemos nos migrantes que iniciam esse caminho para serem livres e, tantas vezes, morrem pelo caminho ou no mar”, disse, durante a última audiência geral de 2021, no Auditório Paulo VI.

“Rezemos hoje por todos os migrantes, todos os perseguidos e todos aqueles que são vítimas de circunstâncias adversas, sejam elas políticas, históricas ou pessoais”, acrescentou.

Numa reflexão em que apresentou a figura de São José como “migrante perseguido e corajoso”, Francisco evocou a fuga da Sagrada Família para o Egito, relatada pelos Evangelhos.

Pensemos em Jesus, nos braços de José e Maria, em fuga, e vejamos nele cada um dos migrantes de hoje. É uma realidade, esta da migração de hoje, diante da qual não podemos fechar os olhos. É um escândalo social da humanidade”.

Nas saudações aos vários peregrinos presentes, o Papa pediu que a alegria do Natal não faça esquecer “todos os que, como a Sagrada Família no Egito, estão longe de casa e dos seus entes queridos”.

O Papa desafiou as comunidades católicas a “ter a coragem de acolher, com espírito cristão de caridade e solidariedade, todos os irmãos e irmãs que tiveram de fugir da sua terra e abandonar o seu lar”.

“Ainda hoje, muitos dos nossos irmãos e irmãs são obrigados a viver a mesma injustiça e sofrimento. A causa é quase sempre a prepotência e a violência dos poderosos. Isto aconteceu também com Jesus”, observou.

Francisco apresentou uma oração a São José, para que os católicos rezem por todos os migrantes

Na sua reflexão, Francisco destacou o contraste entre a “coragem” de São José e a atitude de Herodes, “símbolo de muitos tiranos de ontem e de hoje”, que mandou massacrar crianças para preservar o seu poder, falando nas “duas faces da humanidade de sempre”.

“Em todos os tempos e culturas encontramos homens e mulheres corajosos que, para ser coerentes com o seu próprio credo, superaram toda a espécie de dificuldades, suportando injustiças, condenações e até a morte”, prosseguiu.