Francisco mostrou-se feliz de regresso a «casa», para uma das mais longas visitas deste pontificado O Papa Francisco chegou este domingo ao Equador, após um voo de quase 12 horas, iniciando uma visita de nove dias à América Latina com alertas contra a exclusão e apelos em favor dos mais “vulneráveis”.

“Que as realizações alcançadas no progresso e desenvolvimento possam garantir um futuro melhor para todos, prestando especial atenção aos nossos irmãos mais frágeis e às minorias mais vulneráveis, que são a dívida que toda a América Latina continua a ter”, pediu, no primeiro discurso da viagem(estão previstos 22), no aeroporto internacional de Quito, perante autoridades civis e religiosas equatorianas, para além de representações das comunidades indígenas locais.

O primeiro Papa latino-americano da história da Igreja Católica manifestou a sua “alegria e gratidão”, “entusiasmo e esperança” ao regressar ao seu continente natal, elogiando o acolhimento equatoriano.

“Agradeço a Deus por me ter permitido voltar à América Latina e estar aqui hoje, convosco, nesta linda terra do Equador”, confessou.

Francisco recordou que no passado visitou o Equador por vários motivos e apresentou-se hoje como “testemunha da misericórdia de Deus e da fé em Jesus Cristo”.

A intervenção recordou que a fé católica “modelou a identidade” do país, gerando vários santos que “viveram a fé com intensidade e entusiasmo e, praticando a misericórdia, contribuíram para melhorar, em diferentes áreas, a sociedade equatoriana do seu tempo”.

“Hoje, também nós podemos encontrar no Evangelho as chaves que nos permitam enfrentar os desafios atuais, avaliando as diferenças, fomentando o diálogo e a participação sem exclusões”, apelou.

Francisco disse ao presidente equatoriano que pode contar com “o empenho e a colaboração da Igreja para servir” um povo “que se levantou, com dignidade”.

“Daqui quero abraçar todo o Equador: desde o cume do Chimborazo até às costas do Pacífico, desde a selva amazónica até às Ilhas Galápagos, nunca percais a capacidade de dar graças a Deus pelo que Ele fez e faz por vós”, declarou.

Já o presidente do Equador, Rafael Correa, sublinhou a diversidade do país e as visões comuns com a Igreja Católica na defesa da vida, da família e da natureza, falando do Papa como um “gigante moral” face à “injusta distribuição dos recursos”. No final da cerimónia das boas-vindas, Francisco seguiu para a Nunciatura Apostólica de Quito (representação diplomática da Santa Sé), onde vai ficar alojado, num percurso de cerca de oito quilómetros.

Dezenas de milhares de pessoas acompanharam a deslocação, feita num carro utilitário e, depois, em papamóvel aberto.

Entretanto e já depois de se ter instalado, o Papa Francisco rezou com as centenas de pessoas que se reuniram à porta da Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé) em Quito, no primeiro dia da sua viagem ao Equador.

O pontífice argentino tinha chegado ao local há pouco mais de duas horas quando apareceu à porta da sua residência na capital equatoriana para saudar os presentes e fazer com eles uma breve oração, pedindo-lhes depois que deixassem dormir “os vizinhos”.

Os presentes tinham gritado por Francisco, pedindo-lhe que viesse até junto deles, e este acedeu ao pedido. Segundo o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, cerca de 500 mil pessoas acompanharam o percurso entre o aeroporto internacional de Quito e a nunciatura, que o Papa fez num carro utilitário e, depois, em papamóvel aberto.

Esta é a primeira etapa de uma viagem “maratona” ao Equador, Bolívia e Paraguai, até 13 de julho, na qual se prevê a participação de milhões de pessoas.

Hoje,  Francisco segue para Guaiaquil, a maior cidade do Equador, no litoral do país, onde vai presidir à Missa diante do Santuário da Divina Misericórdia, com uma multidão estimada de um milhão de pessoas, antes do almoço no ‘Colégio Javier’, dos jesuítas.

Já de regresso a Quito, tem lugar o encontro privado com o presidente da República do Equador e a visita à Catedral de Quito, cumprimentando depois as pessoas que se reunirem no local.

A 7 de julho decorre uma reunião com bispos equatorianos antes da Missa no Parque do Bicentenário (da independência), na qual vai ser entoada uma antiga melodia inca e vai ser proclamada uma leitura em Quéchua, por um leitor indígena.

À tarde há um encontro com o “mundo da Escola e da Universidade” na Pontifícia Universidade Católica do Equador e outro com representantes da sociedade civil, na igreja de São Francisco, num dia que se encerra com uma visita privada à “Iglesia de la Compañia”, jesuíta. O programa de quarta-feira começa com uma visita à Casa de Repouso das Missionárias da Caridade, a congregação fundada por Madre Teresa de Calcutá, e um encontro com o clero, os religiosos, as religiosas e os seminaristas no Santuário Nacional Mariano “El Quinche”. Ainda neste dia, Francisco parte rumo à capital da Bolívia, La Paz, onde se vai encontrar com o presidente e as autoridades civis, antes de seguir para a cidade de Santa Cruz de la Sierra, evitando assim permanecer muito tempo a uma altitude tão elevada; na capital boliviana, o Papa vai passar pelo local do assassinato do padre jesuíta Luis Espinal, morto em março de 1980.

O padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, admitiu que Francisco siga os “costumes populares” para enfrentar o “mal de montanha” e mitigar os efeitos da altitude, bebendo uma infusão ou mastigando folhas de coca.

A 9 de julho, o Papa preside à Missa na Praça de Cristo Redentor e reúne-se com o clero e os religiosos bolivianos, antes de participar no II Encontro Mundial dos Movimentos Populares na ‘Expo Feria’.

O dia seguinte começa no Centro de Reeducação Santa Cruz-Palmasola, para jovens detidos, a que se segue um encontro com os Bispos da Bolívia na igreja paroquial La Santa Cruz e a cerimónia de despedida no aeroporto internacional Viru Viru. Francisco parte depois para a terceira etapa da viagem, no Paraguai, chegando à capital do país para uma visita de cortesia ao presidente da República e um encontro com as autoridades civis no jardim do Palácio de los López. O programa inclui a execução de obras musicais do tempo das “reduções” jesuítas, dos séculos XVII e XVIII. A 11 de julho tem lugar uma visita a um hospital pediátrico, antes da Missa na praça do santuário mariano de Caacupé; à tarde, o Papa encontra-se com representantes da sociedade civil, incluindo as comunidades indígenas e camponesas, e preside depois à oração de vésperas na Catedral Metropolitana de Assunção. O último dia da visita ao Paraguai, 12 de julho, começa numa área pobre, junto da população de Bañado Norte, e a Missa no Campo Grande de Ñu Guazú, com orações em guarani. Francisco vai depois encontrar-se com os bispos do Paraguai e os jovens, para regressar a Roma, onde deve chegar pelas 13h45 (menos uma em Lisboa) do dia 13 de julho.

No total, o Papa vai percorrer 24730 quilómetros (equivalente a mais de meia volta ao mundo) em sete voos que totalizam cerca de 33 horas.

O único pontífice a visitar até hoje estes três países sul-americanos foi São João Paulo II, em 1985 (Equador) e 1988 (Bolívia e Paraguai).

CR/Ecclesia/Lusa