O Papa Francisco recebeu hoje em audiência os participantes na Assembleia Plenária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida e afirmou que os leigos devem-se tornar “adultos” para assumir “missões na sociedade, na cultura, na política”.

“Todos os leigos, filhos da Igreja, devem ser ajudados a crescer e a tornar-se ‘adultos’, superando as resistências,  ‘saindo do armário’, de forma audaz e corajosa, colocando os seus talentos ao serviço de novas missões na sociedade, na cultura, na política, enfrentando sem temor e sem complexos os desafios que o mundo contemporâneo coloca”, afirmou o Papa.

Francisco disse aos 85 participantes na Assembleia Plenária do dicastério da Santa Sé que “não são ‘engenheiros sociais’ ou ‘eclesiais’” que se reúnem para planear “estratégias a serem aplicadas em todo o mundo com o intuito de difundir uma certa ideologia religiosa entre os leigos”.

“Vocês são chamados a pensar e a agir como ‘irmãos na fé’, lembrando que a fé nasce sempre de um encontro pessoal com o Deus vivo e se alimenta dos Sacramentos da Igreja”, afirmou.

Assembleia Plenária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida iniciou na última quarta-feira, no Vaticano, onde participa o cardeal português e bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto

No centro dos trabalhos, que terminam hoje, está “a identidade e a missão dos fiéis leigos no mundo”; fazem parte desta assembleia plenária cardeais, bispos, mas sobretudo leigos – em alguns casos casais – que, com sua experiência eclesial e suas competências humanas e profissionais, foram chamados a colaborar na missão do dicastério.

“Todos vós sois chamados a colaborar com a Santa Sé e ajudar este novo Dicastério no seu caminho, que iniciou a atividade há pouco mais de dois anos, recebendo a herança do Conselho Pontifício para os Leigos e do Conselho Pontifício para a Família. Juntos, sacerdotes, consagrados e leigos, estais lado a lado para desenvolver um serviço à Igreja universal, comprometendo-vos a promover e apoiar os leigos, famílias e vida”, referiu o Papa.

Francisco lembrou que “é indispensável” que cada um dos participantes nesta assembleia “se sinta o coração da Igreja”.

Para o Papa, para se sentir o coração da Igreja é preciso “um esforço para sair de si mesmo e entrar numa nova perspetiva”, passando de uma “perspetiva local à universal”.

“A Igreja não se identifica com a minha diocese de proveniência, com o movimento eclesial a que pertenço, com a escola teológica ou a tradição espiritual onde me formei. Às vezes estamos habituados a esses pequenos casulos. A Igreja é católica, é universal, é muito mais ampla, tem uma alma maior”, afirmou o Papa.

“Sentir-se com o coração da Igreja quer dizer sentir de um modo católico, universal, atendendo a toda a Igreja e não olhando só a uma parte”, acrescentou.

O Papa desafiou também os membros deste dicastério da Santa Sé a “fazer o esforço para deixar de lado as competências pessoais específicas, de teólogo, professor, médico, conferencista, formador pastoral e por aí adiante para assumir a perspetiva da Igreja-mãe”.

“A Igreja é mãe. Por isso, também vós, como membros e consultores, a partir de todo o conhecimento e experiência que acumulaste nestes anos, sois chamados a dar um passo em frente e a  perguntar, diante de um projeto pastoral, um desafio, um problema: como ‘vê’ esta realidade a Igreja-mãe? Como a ‘sente’?”, sugeriu o Papa

Francisco disse que, fazendo assim, os membros do Dicastério para os Leigos, Família e a Vida serão uma ajuda para esse organismo da Santa Sé porque estão a ser “a voz da Igreja”, depois de ter “purificado” o “pensar e sentir pessoal” tornando-o “plenamente eclesial”.

(Com Ecclesia e Vatican News)