O Papa recordou hoje no Vaticano as pessoas reclusas, em todo o mundo, criticando as condenações sem “janela de esperança” e de reintegração na sociedade.

“Não pode haver condenações sem janelas de esperançam, qualquer condenação tem sempre uma janela de esperança”, sustentou, durante a audiência pública semanal.

Francisco falava aos peregrinos reunidos no Auditório Paulo VI da “revolução da ternura” promovida pelo Cristianismo, alertando para “o risco de permanecer presos numa justiça que não permite levantar-se facilmente e que confunde redenção com castigo”.

“Hoje quero recordar de modo particular os nossos irmãos e irmãs que estão na prisão. É justo que aqueles que cometeram um erro paguem por esse erro, mas é igualmente justo que aqueles que falharam possam redimir-se do seu erro”, indicou.

Pensemos nos nossos irmãos e irmãs na prisão, pensemos na ternura de Deus por eles e rezemos por eles, para que encontrem naquela janela de esperança um caminho para uma vida melhor”.

A reflexão integrou a catequese desta quarta-feira sobre a “figura de São José como pai na ternura”.

O Papa falou sobre a passagem do Evangelho São Lucas que apresenta a figura do “Pai misericordioso” (Lc 15, 11-32), conhecida tradicionalmente como a parábola do filho pródigo.

“Esta parábola sublinha não só a experiência do pecado e do perdão, mas também a forma como o perdão chega à pessoa que errou”, referiu.

Francisco sustentou que a ternura é “algo maior do que a lógica do mundo” e “uma forma inesperada de fazer justiça”.

“É por isso que nunca devemos esquecer que Deus não tem medo dos nossos pecados: vamos colocar bem isso nas nossas cabeças. Deus não tem medo dos nossos pecados, Ele é maior do que os nossos pecados. Ele é Pai, ele é amor, ele é carinhoso. Ele não tem medo dos nossos pecados, dos nossos erros, das nossas quedas, mas tem medo do fechamento do nosso coração”, declarou.

O Papa convidou os católicos a encontrar-se com esta misericórdia de Deus, “especialmente no sacramento da Reconciliação, fazendo uma experiência de verdade e ternura”.

A reflexão concluiu-se com uma proposta de oração, apresentada pelo Papa.

São José, pai na ternura, ensina-nos a aceitar que somos amados precisamente naquilo que é mais débil em nós. Concede que não coloquemos qualquer obstáculo entre a nossa pobreza e a grandeza do amor de Deus.

Suscita em nós o desejo de nos aproximarmos do Sacramento da Reconciliação, para que possamos ser perdoados e também que nos tornemos capazes de amar com ternura os nossos irmãos e irmãs na sua pobreza.

Está próximo daqueles que erraram e que pagam o preço por isso; ajuda-os a encontrar, juntamente com a justiça, a ternura para recomeçar. E ensina-lhes que a primeira maneira de recomeçar é pedir sinceramente perdão. Amen.

Francisco saudou os vários grupos de peregrino, incluindo os de língua que portuguesa, que convidou a professar a fé “no único Senhor de todos os povos e línguas”.

“Encorajo-vos a que, banindo qualquer aparência de indiferentismo, confusão e odiosa rivalidade, possais colaborar com todos os cristãos por amor de Cristo. Unamo-nos todos sob o seu Nome! Também eu, em seu nome, vos abençoo desejando-vos que frutifiqueis abundantemente na paz, cooperação e unidade entre os vossos familiares e conterrâneos”, disse.

O Papa evocou a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que decorre de 18 a 25 de janeiro.

“Rezemos para que todos os discípulos de Cristo perseverem no caminho da unidade”, pediu, apontando ao “dom da plena comunhão”.

Francisco falou ainda aos trabalhadores da companhia aérea AirItaly, desejando que a sua situação de trabalho “possa encontrar uma solução positiva, respeitando os direitos de todos, especialmente das famílias”.

(Com Ecclesia)