Francisco esteve mais de duas horas na festa do Encontro Mundial de Filadélfia

 O Papa Francisco disse hoje em Filadélfia que “vale a pena lutar pela família”, num discurso improvisado que encerrou a festa do Encontro Mundial que decorre na cidade norte-americana.

“Cuidemos da família, defendamos a família, porque aí se joga o nosso futuro”, advertiu, durante uma intervenção em que se mostrou emocionado.

Francisco foi recebido em euforia por milhares de pessoas no Benjamin Franklyn Parkway, para a festa do 8.º Encontro Mundial das Famílias (EMF) que incluiu momentos de reflexão, testemunhos e música, num espetáculo apresentado pelo ator e produtor Mark Wahlberg.

“Uma sociedade cresce forte, boa, bonita, cresce verdadeira se for edificada sobre a base da família”, declarou o Papa, que falou em espanhol e contou com a ajuda de um tradutor para se dirigir à multidão.

Francisco disse aos presentes que “a família tem um bilhete de identidade divino”, respondendo a um desígnio de Deus sobre a humanidade.

Pelo palco passaram aa banda norte-americana ‘The Fray’ – acompanhados por um coro em língua gestual -, Aretha Franklin, o cantor colombiano Juaes ou o comediante Jim Gaffigan ou o tenor Andrea Bocelli, entre outros.

O Papa ouviu uma filha de Santa Gianna Beretta Molla (1922-1962), que preferiu morrer a abortar sua quarta filha.

“A família foi o mais bonito que Deus fez: criou o homem e a mulher, entregou-lhes tudo, entregou-lhes o mundo”, disse, na sua reflexão, após mais de duas horas em palco, a ver e ouvir os vários intervenientes.

Segundo Francisco, “a família é uma fábrica de esperança, de esperança de vida e ressurreição”.

“Na família há dificuldades, mas elas superam-se com amor. O ódio não supera nenhuma dificuldade”, advertiu depois.

O Papa recordou conversas com trabalhadores do Vaticano que aparecem com “olheiras” depois de noites sem dormir, porque “os filhos dão trabalho”.

A vida, acrescentou, “tem os seus problemas” e cabe a cada um escolher o caminho do “amor” ou da “guerra”.

“Vale a pena a vida em família”, insistiu.

Francisco disse que uma vez foi questionado por uma criança sobre o que fazia Deus antes de criar o mundo, tendo confessado que foi uma pergunta “difícil”.

“Deus amava, porque Deus é amor”, respondeu, um amor que “tinha de sair de si próprio”

“Uma família é verdadeiramente família quando é capaz de abrir os braços e receber todo esse amor [de Deus]”, prosseguiu.

Francisco assinalou que o próprio Deus quis enviar o seu filho “a uma família”, não a um palácio ou uma empresa, “e pode fazê-lo porque essa família tinha um coração aberto”, capaz de amar.

“O amor é festa, o amor é gozo, o amor é avançar”, realçou.

A intervenção retomou uma das preocupações mais repetidas pelo Papa nestas questões, a atenção necessária para as novas gerações e os mais velhos.

“Um povo que não sabe tratar das crianças e dos avós é um povo sem futuro, porque não tem a força nem a memória que o faça avançar”, alertou.

O pontífice argentino observou, depois, que “às vezes, na família há inimizades”.

“Numa família, não se pode terminar o dia em guerra”, recomendou.

Este domingo, às 16h00 locais (21h00 em Lisboa), o Papa preside à Missa conclusiva do EMF 2015, de novo no Benjamin Franklin Parkway, naquele que é o último ato público da décima viagem ao estrangeiro deste pontificado, prevendo-se o maior banho de multidão desta visita apostólica.

CR/Ecclesia