Mensagem para o Dia Mundial sublinha importância da memória histórica como fator diferenciador

 O diretor da Obra Nacional da Pastoral do Turismo (ONPT), organismo da Igreja Católica, defendeu uma maior valorização do património e da “memória histórica” de Portugal, na atividade turística.

“Entre turismo, património e memória existe um dinamismo de potenciação que urge valorizar: o turismo reclama o património; e o património atrai os turistas”, escreve o padre Carlos Godinho, na mensagem que assinala o Dia Mundial do Turismo que se celebra hoje.

No texto enviado à Agência ECCLESIA, o responsável assinala a relação entre o aumento da atividade turística, num determinado local, e a preservação do património e da memória histórica.

“O aumento do número de turistas reclama um renovado e contínuo cuidado na preservação do património local e no aprofundamento da sua memória histórica”, precisa.

A ONPT retoma as orientações do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (Santa Sé) e da Organização Mundial do Turismo, numa jornada comemorativa dedicada ao tema ‘Mil milhões de turistas, mil milhões de oportunidades’.

O padre Carlos Godinho refere na sua mensagem que este fluxo tem “perigos e oportunidades”, mas prefere valorizar as últimas, “numa perspetiva de vivência integral do turismo, centrando-o, muito especialmente, na contínua revalorização do ideal de fraternidade”.

“A afirmação da diferença é fonte de redescoberta e preservação da singularidade local e de enriquecimento para o visitante”, acrescenta.

 

Neste contexto, insiste-se na importância de assumir a “identidade mais profunda, plasmada no património material e imaterial”, para ajudar a um “desenvolvimento equitativo e sustentável de todo o território nacional”.

“O turismo, neste sentido, poderá potenciar o desenvolvimento dos setores primário e terciário da atividade económica, mormente em espaços que, nos últimos anos, sofreram a desertificação ou mesmo o abandono”, prossegue o diretor da ONPT.

Quanto à Igreja Católica, o sacerdote observa que a atividade turística exige uma nova dinâmica de evangelização, que “ultrapassa as formas tradicionais”.

“A Igreja tem de abrir-se a novas oportunidades pastorais: tornar-se presente nos espaços da comunidade humana e social, para tanto formando leigos que assumam a sua vivência cristã no âmbito do turismo, particularmente os que operam neste setor”, esclarece.

A mensagem para o Dia Mundial do Turismo recorda as preocupações manifestadas com a defesa do ambiente no magistério recente da Igreja Católica, antes de realçar que “o investimento ecologicamente sustentável comporta uma multiplicidade de benefícios”.

Entretanto, no próximo dia 18 de outubro celebra o dia nacional dos Bens Culturais da Igreja, com uma atenção muito especial nos bens móveis e imóveis que constituem o património das comunidades cristãs.

CR/Ecclesia