Organização vai ser “forçada” a rever valor base da capitação para atribuição de apoios

O peditório anual de rua da Cáritas da ilha Terceira rendeu este ano cerca de menos 30% disse ao Sítio Igreja Açores a sua presidente, Anabela Borba.

“As pessoas já não têm muito para dar, a situação é muito difícil e, por isso,  é natural que os donativos sejam em menor quantidade, quer em dinheiro quer em géneros”, referiu a dirigente que é também a responsável diocesana da Cáritas.

“Em São Miguel o peditório de rua foi feito pelos escuteiros e por isso ainda não possível apurar montantes” referiu Anabela Borba lembrando que nesta ilha e no Faial, foi particularmente “intenso” o peditório junto às grandes superfícies comerciais.

“Não contabilizámos ainda, também, o valor das coletas das missas dominicais, mas percebemos que a situação é muito complicada para as famílias e isso traduz-se na quantidade de donativos”, refere a dirigente que diz que as “pessoas continuam solidárias mas podem menos e por isso dão menos”.

No caso da Cáritas da ilha Terceira o peditório de rua “rendeu perto de 10.500 euros e a recolha nas grande superfícies foi dentro daquilo que é hábito”, nas Semanas da Cáritas. Ainda assim, é um valor “que pode sofrer alguma alteração” pois ainda falta apurar algumas freguesias da ilha Terceira.

Esta situação já originou uma reunião de avaliação com as voluntárias e técnicas da instituição no atendimento social, com vista a uma revisão do modelo de apoio social.

“Vamos ter de baixar a capitação e ser ainda mais restritivos nos apoios e na forma como eles são dados” adianta Anabela Borba.

“Há apoio no pagamento de despesas domésticas que vamos ter de cortar e teremos de priorizar ainda mais os nossos alvos: vítimas de desemprego de longa duração, de catástrofe, doença súbita, famílias monoparentais e numerosas, excluindo naturalmente beneficiários de outras prestações sociais ou utentes nossos que sejam sistematicamente incumpridores, nomeadamente nos programas Prosa e Fios”, conclui a presidente da Cáritas da ilha Terceira.

Sem fechar a porta a “soluções que mitiguem as dificuldades e não deixem de fora quem mais precisa”, Anabela Borba garante que a Cáritas “vai continuar a apostar no trabalho social com a mesma dedicação”.

“Vamos virar-nos para as grandes empresas e pedir auxilio de forma a que possamos manter os nossos programas de intervenção social e de luta contra a pobreza e neste capítulo até podem surgir notícias muito boas”, conclui.

A semana da Cáritas decorreu entre 1 e 8 de março com peditórios de rua e de bens alimentares junto às grandes superfícies, entre 5 e 8 de março.

A Cáritas Portuguesa contabilizou até ao momento mais de 167 mil euros em 12 das instituições diocesanas que promoveram o peditório de rua anual, com a ajuda de voluntários.

No seu sítio na internet, a organização católica revela o valor de 167 857,19 euros vai ajudar a responder às “solicitações de apoio social” de quem procura as diversas Cáritas Diocesanas.

A Cáritas Portuguesa explica, no entanto,  que estes valores estão sujeitos a alteração, por “não estarem contabilizadas” todas as freguesias onde decorreu o peditório, entre os dias 5 e 8 deste mês, e porque falta ainda apurar o valor recolhidos nos Açores, Algarve, Funchal, Guarda, Lisboa, Porto e Viana do Castelo.

Em 2014, a instituição caritativa da Igreja Católica apoiou 160 609 pessoas integradas em 63 059 agregados familiares.