Projecto de recolha de imagens e testemunhos com vista à elaboração de uma candidatura sustentada a Património da Humanidade começa agora

O Movimento de Romeiros de São Miguel inicia este mês a recolha de imagens e testemunhos com vista à construção de um acervo documental que possa, por um lado, preservar a memória deste movimento único e, por outro lado, fundamentar uma candidatura das Romarias Quaresmais a Património Imaterial da Humanidade, por altura dos 500 anos, que se assinalam em 2022.

“É com sentimentos de muita Alegria, Fé e Esperança que iniciamos a enorme e importante  Caminhada” refere o presidente da Associação num texto publicado esta sexta feira no jornal A Crença, onde mensalmente o Movimento assina uma página.

Esta Caminhada assume várias vertentes desde a recolha em vídeo e áudio até aos trabalhos de análise do conteúdo temático/informativo da documentação existente na Casa do Romeiro; separação e catalogação da documentação; higienização do acervo até ao acondicionamento definitivo, contando para o efeito com a colaboração de técnicos especializados.

Esta recolha de testemunhos, que será feita pelo romeiro Fernando Resendes visa  “salvar do esquecimento a ainda vasta tradição oral do Romeiro de São Miguel que naturalmente se vai transformando com o tempo” refere o texto já citado, assegurando que o registo seguirá sempre uma metodologia:  o que foi o quotidiano do romeiro durante a romaria bem como toda a envolvência que abraça esta prática naqueles dias da Quaresma: a família, as pernoitas, as refeições, cânticos, orações, etc.

No início do próximo ano, deverá ser ainda contratado um Técnico de Museologia e Património para pesquisar, recolher e, em parceria com a Direção Regional da Cultura, criar um dossier para enviar para o Registo de Património Cultural Imaterial Nacional todo o acervo das romarias, desde o século XVI até aos nossos dias.

“É um trabalho de enorme importância” cujo “objetivo é o de congregar, registar e guardar para memória futura este valor patrimonial, religioso e cultural dos Açores” afirma ainda o texto publicado na página dos Romeiros no jornal da paróquia de São Miguel, em Vila Franca do Campo.