Serviço Diocesano lança “Guia da Pastoral Social” e lembra que a pastoral social não é a “pastoral dos praticantes que vão à missa” mas “uma igreja que se abre aos outros”

A Diretora do Serviço Diocesano da Pastoral Social desafia padres e leigos a serem “uma igreja que se abre aos outros”, sobretudo dos mais frágeis, independentemente do “credo, da cor da pele ou da ideologia”.

“A pastoral social não é a pastoral dos praticantes que vão à missa  ou que frequentam o templo; é a Igreja que se abre aos outros  independentemente do credo, da cor da pele, da raça, da ideologia mas que estão numa situação de carência e de fragilidade, que precisa de ser encaminhada para serviços competentes” afirma Pierdade Lalanda em declarações ao Igreja Açores.

“Não se trata aqui  de sermos sempre capazes de dar uma  resposta  (por vezes não há essa capacidade), mas de podermos mobilizar outros recursos e outras entidades que têm a resposta para estas situações e sinalizar estes casos é ser a voz  dos que têm dificuldades e que, por terem vergonha ou incapacidade, não conseguem sair da sua situação”, esclarece Piedade Lalanda.

“Esta é também a missão da Igreja”, frisa na sequência do lançamento do Guia da Pastoral Social nos Açores, que acaba de ser disponibilizado a todas as paróquias e demais estruturas da igreja local.

“Este é  um suporte para as paróquias reorganizarem ou criarem a pastoral social. É extremamente importante, particularmente importante no momento que estamos a atravessar, que as paróquias possam disponibilizar este serviço que é tão importante como a liturgia, os cânticos, a catequese e outras áreas em que os leigos se envolvem”, refere a dirigente.

“Procurámos fazer um documento simples que mobilize e receba a adesão das pessoas para que sejamos todos mais irmãos e mais fraternos”, como desafia o Papa Francisco, refere ainda a socióloga.

O “Guia” destina-se a toda a Igreja, mas em especial “aos párocos, que são os pastores”, mas também “aos leigos sobretudo os que já têm essa sensibilidade para congregarem esforços de forma permanente e não pontualmente em épocas e, de alguma forma já estão envolvidos nas questões sociais”.

“A pastoral social, a atenção ao outro, é uma atitude permanente e coerente com o evangelho, que deve ser articulada com as autoridades locais e com todos os que lutam no terreno, sem descriminar ninguém” afirma Piedade Lalanda.

“Para termos força não é preciso termos um grupo muito grande. Como diz o evangelho basta reunir-se dois ou três em nome do Senhor… O que é preciso é termos grupos motivados” refere ainda ao sublinhar que a resposta da Igreja não deve ser apenas assistencialista, isto é, dar alimentos.

“Devemos responder às situações de emergência, mas é necessário ir mais além”, sustenta.

“Podemos dar tempo, podemos dar assistência, podemos dar apoio psicológico, podemos dar apoio jurídico”, salienta.

O novo “Guia” foi aprovado na última reunião realizada no dia 15 de fevereiro, via “zoom”, na qual participaram os vários responsáveis diocesanos e que contou com a presença do bispo, D. João Lavrador.

“O Guia é uma preciosa ajuda à formação de grupos de cristãos empenhados em ver , julgar e agir ” de forma a proporcionar linhas para “o acolhimento de pessoas e famílias em situação de dificuldade e, sobretudo perceber as desigualdades e injustiças que estão por detrás das necessidades identificadas” referem os seus promotores.

“ As necessidades materiais são reais; as pessoas passam por algumas dificuldades sobretudo as que baixaram os rendimentos. E, depois, há factores estruturais  nos Açores que estão a pressionar as famílias ao nível do emprego, sobretudo no sector primário, onde houve uma baixa significativa de rendimentos” reconhece a responsável pela pastoral social. Procuramos colmatar as emergências que são muitas mas é também nossa prioridades trabalhar com outras organizações para que as pessoas possam aceder a elas”, conclui Piedade Lalanda.

Para além da criação de núcleos de Pastoral Social, o documento propõe uma caracterização do universo de pessoas vulneráveis; a validação  “do registo de pedido de ajuda com outras entidades”; o acompanhamento de “situações sinalizadas”; a “avaliação permanente da acção da pastoral social e o envolvimento da comunidade paroquial.

“Os seis passos a dar na criação deste serviço paroquial visam desempenhar um papel evangelizador, ecuménico e integrador das diferentes expressões religiosas que possam existir na comunidade local e contribuir para um processo de inclusão social das periferias”, esclarece ainda o Serviço Diocesano da Pastoral Social.