Por Renato Moura

Os governos gabam-se de a qualificação académica dos portugueses ser hoje muito mais elevada. Obviamente o mérito tem de ser repartido e inclui estabelecimentos de ensino a todos os níveis, o empenho das famílias, a aspiração e trabalho dos próprios jovens.

Os conhecimentos transmitidos e o grau académico concedido valem se conferiram aos jovens uma formação para o presente e uma preparação para o futuro. Retenhamos de Franklin Roosevelt: “Nem sempre podemos construir o futuro para a nossa juventude, mas podemos construir a nossa juventude para o futuro”. É preciso investir em meios e agentes qualificados; e para o fazer bem é preciso saber.

Os jovens têm de ser actores activos na transformação, mas esta só se faz de forma consolidada tendo em conta os ensinamentos do passado, estes alicerçados na ponderação das vitórias e dos erros. Na realidade, tal como na poesia da canção, “o mundo pula e avança”; e ficaremos permanentemente perante novos desafios: novas oportunidades, novos riscos. Talvez alguns currículos não estiveram orientados para as necessidades do presente. Pior ainda quando os jovens formados em áreas específicas são obrigados a exercer em actividades completamente diversas.

Os jovens têm não só o direito, como o dever, de intervir, de forma cada vez mais decisiva, nas diversas áreas: social, cultural, política, económica. É, todavia, destituída de sentido, sem o menor proveito e até ofensiva a atitude arrogante de alguns jovens, seja na sociedade, na política ou nas empresas e o olhar sobranceiro sobre quem construiu o passado e legou a herança. A história é a mestra da vida: há que interpretar o passado e reinventar o futuro.

A motivação dos jovens tem de cruzar-se com competência. A educação deve rimar com actuação. Projectos realistas baseiam-se na proficiência e só desses resultam progressos reais.

Os jovens, obviamente, não podem permanecer sentados na comodidade da espera, ou obscurecidos pela luz deslumbrante duma vã esperança prometida pelos praticantes da política tradicional. Porém, a frequente cooptação de alguns jovens para da política fazerem o primeiro e único emprego, serem seguidores da voz do chefe, colaborantes das práticas de compadrio e proteccionismo, levam à resistência de participação dos leais à pureza dos valores e princípios.

Deseja-se e espera-se dos jovens inovadora iniciativa empreendedora, mais participação cívica e maior responsabilidade social. Para contar com a potencialidade dos jovens na política, os melhores exigem transparência.