O diretor “interino” da Sala de Imprensa da Santa Sé afirmou hoje que receberam “com dor” a notícia da morte de Vincent Lambert, francês de 42 anos que se encontrava em estado vegetativo há dez anos.

“Oramos para que o Senhor o receba em sua casa e expresse proximidade aos seus entes queridos e àqueles que, até o último momento, se comprometeram a ajudá-lo com amor e dedicação”, refere Alessandro Gisotti, em comunicado.

O diretor “interino” da Sala de Imprensa da Santa Sé lembra e reitera o que disse o Papa Francisco sobre o “caso doloroso” de Vincent Lambert: “Deus é o único mestre da vida desde o começo até o fim natural e é nosso dever guardá-lo sempre e não ceder à cultura do desperdício”.

“Vincent morreu às 08:24 desta manhã” no hospital de Reims, no nordeste da França, informou a família (um sobrinho) daquele enfermeiro de 42 anos, que ficou tetraplégico após um acidente de viação em 2008, e a quem no dia 2 de julho o hospital suspendeu novamente a alimentação e a hidratação.

O Papa Francisco publicou esta quarta-feira um tweet em defesa da vida “do início ao seu fim natural”, e pedindo que “os médicos sirvam à vida, não a tirem”, algo que já tinha apelado no dia em que foi interrompida a alimentação e hidratação artificial a Vincent Lambert, a 20 de maio, também na através da sua conta na rede social Twitter.

Papa Francisco

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Rezemos pelos enfermos que são esquecidos e abandonados à morte. Uma sociedade é humana se protege a vida, toda a vida, do início ao seu fim natural, sem escolher quem é digno ou menos para viver. Que os médicos sirvam à vida, não a tirem.

Francisco já tinha falado publicamente sobre este caso, em 2018, manifestando sempre a oposição da Igreja Católica a qualquer tentativa de introdução da eutanásia em França.

O procedimento para interromper a alimentação e a hidratação de Vincent Lambert foi decidido após um processo judicial que contrapôs o hospital público universitário – apoiado pela esposa de Lambert e vários outros familiares – aos pais do doente tetraplégico; foi a quarta vez em seis anos que o protocolo de fim de vida é iniciado, sendo posteriormente interrompido por recursos judiciais.

Segundo alguns médicos, Lambert vivia num estado de “consciência mínima”, enquanto, segundo outros, ele encontrava-se em estado “vegetativo crónico”.

No dia 21 de maio, o Vaticano publicou uma declaração conjunta contra a suspensão da alimentação artificial a Vincent Lambert, uma “grave violação da dignidade da pessoa”, do Dicastério para os Leigos, Família e Vida e a Academia Pontifícia para a Vida.

(Com Ecclesia)