Pelo Pe. Hélder Miranda Alexandre

Recentemente, achei curioso um estudo que mostrava como o Natal provoca stress e afeta a saúde mental. Não é uma novidade, mas confirma o que muitos já se deram conta. “Em 2017, Linda Blair, psicóloga inglesa, tinha já alertado para os possíveis problemas de se ouvir música de Natal antecipada. À Sky News, a especialista explicou que este tipo de canções pode afetar a saúde mental e despertar sentimentos de stress e agitação devido ao facto de as pessoas se lembrarem de tudo o que têm para fazer até ao Natal”. Como podem as músicas, com uma capa de jocosa meninice, terem culpa da sensação de vazio? O Natal consumista tem estas consequências…

De facto, esta época tem sido explorada ao máximo, mas não pelos melhores motivos. Começa-se cedo a comprar, a festejar, a enfeitar… Não há preparação, apenas festa e consumo. Uma correria de gente. Caminhar no passeio mais parece um labirinto de encontrões e descobrir um lugar para estacionar um quebra cabeças…. De natal, quase nada… Nas ruas poucos símbolos cristãos, num emaranhado de luzes, sem sentido. Pontualmente um Menino Jesus envergonhado, num presépio mal iluminado, ou numa pintura pendurada numa varanda, por alguém que ainda luta por afirmar as suas convicções cristãs.

Recordo-me do Dr. Caetano Tomás nos dizer que deveríamos tentar ensinar que o Pai Natal era Deus Pai e que Jesus era o seu maior Presente. Pensei que seria um pouco ridículo trilhar esse caminho, mas entendo a tentativa. Parece-me que é muito difícil, quando o mito se torna realidade e a realidade se torna mito.

Todos os dias aparecem tentativas de destruição do Natal. Um formidável artigo dos jesuítas reflete muito bem esta problemática, refletindo sobre as escolas sem presépio, com várias situações preocupantes, em que a suposta liberdade religiosa é transformada em ideologia anticristã.

O tempo que deveria ser de alegria, encontro e amor, esconde-se, por vezes e somente, nos murmúrios da memória infantil, um pouco idealizada. Mas não significa que não exista. Resta-nos ainda o aconchego da família e dos amigos, mas arriscamos perder a fé…

Santo Agostinho afirma que a alegria que o mundo dá é vaidade. Esperamo-la com grande desejo, mas quando chega não a prendemos. A tristeza de quem sofre injustamente é melhor do que a alegria de quem comete iniquidade.

Os textos da Bíblia não usam a palavra eudamonia, que significa um estado psicológico de alegria, mas makarioi (bem-aventurados), na segurança de uma estrada evangélica. Confunde-se alegria com estados de ânimo. Tolstoj tentou demonstrar como são felizes os pobres porque não têm preocupações. Não é esse o sentido do Evangelho. Felizes são os que têm o coração em Deus, sendo pobres, perseguidos, pacíficos…

Francisco é profético: “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio, do isolamento. Com Jesus Cristo renasce sem cessar a alegria”.

Apreciar as coisas simples, na humildade, pode ser o início para um caminho de conversão. O Papa fornece-nos mais um texto simples e interpelador para este tempo centrado no presépio. “O sinal admirável do Presépio, muito amado pelo povo cristão, não cessa de suscitar maravilha e enlevo”. Uma ótima reflexão para começar um Natal mais feliz!