Padre José Tolentino Mendonça vai ser distinguido esta quinta-feira em Itália pela sua obra «A Mística do Instante»

O padre e escritor José Tolentino Mendonça vai receber esta quinta-feira em Itália o prémio literário ‘Res Magnae 2015’, distinção atribuída no campo da ensaística, pela sua obra “A Mística do Instante”.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o sacerdote considera o prémio um incentivo para “continuar um caminho de criação que encara pessoalmente como um serviço à Igreja Católica e à Cultura”.

O vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa realça a sua intenção de contribuir para que Teologia esteja cada vez mais “em diálogo com o presente, com a História, com o quotidiano, com a vida”

“Aquilo que eu sinto como caminho é muito fazer esta ponte e fazer com que a Teologia se faça de olhos abertos, sem medos, sem complexos de abordar a vida na sua concretude, na sua contribuição, no seu mistério, e se consegui fazer isso neste livro fico muito contente”, reconhece o padre José Tolentino Mendonça.

O sacerdote português destaca o facto do galardão italiano “ajudar a iluminar uma área da criação literária e do pensamento, como é o ensaio, muitas vezes esquecida”.

“E sendo um prémio para um ensaio português representa também um estímulo para todos os que no nosso país trabalham neste campo”, aponta o vice-reitor da UCP.

No ensaio “A Mística do Instante – o tempo e a promessa”, o padre Tolentino Mendonça sustenta que há um Evangelho que “só a pele apreende”, que “a fraternidade se exprime também pelo tato”, que “o pão da Eucaristia é o pão de mil sabores” e que “o odor permite uma aprendizagem do invisível”.

“É impossível pensar um caminho de fé que não tenha a ver com o que ouvimos, o que vemos, o que tateamos, o que nos chega através do odor, muitas vezes invisível, ou então do sabor de Deus”, referia o autor, numa entrevista à Agência ECCLESIA, aquando a publicação da obra.

Segundo o também consultor do Conselho Pontifício para a Cultura (Santa Sé), no livro “A Mística do Instante”, o objetivo é “conversar”.

“Não é uma conversa que foge às questões mais imediatas do dia-a-dia, mas não é abstrata, sobre querubins e serafins, mas sobre a vida, sobre a pessoa humana, sobre o que nós somos e demasiadas vezes é deixado submerso e adiado”, frisa o antigo diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

CR/Ecclesia