Conferência Episcopal: Publicação dos cadernos sinodais resulta de um “trabalho em equipa” e quer “ajudar a concretizar” o processo sinodal

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), através da sua equipa sinodal, publicou o primeiro de 13 cadernos mensais que vão apoiar as comunidades a rececionarem e implementarem o documento final do Sínodo dos Bispos, para concretizarem este processo.

“Ajudam a fazer diferente, se usarmos este método da conversação no Espírito. Não é uma conversa, eu costumo dizer, a brincar, não é uma conversa fiada, é uma conversa afinada no Espírito, uns com os outros, para tentarmos descobrir os caminhos daquilo que nós somos, Igreja”, disse o secretário da CEP, que preside a equipa sinodal, esta quarta-feira, dia 25 de fevereiro, em entrevista à Agência Ecclesia.

O padre Manuel Barbosa salienta que “como batizados”, a vida consagrada, os sacerdotes, os leigos, todas estas realidades concorrem “sempre para a renovação da Igreja”.

O primeiro subsídio da CEP foi publicado neste mês de fevereiro e é dedicado ao tema da sinodalidade, que, realça o sacerdote dehoniano, “é o fundamental”, porque, sublinha, marca aquilo que são “como Igreja, uma Igreja sinodal, sempre ao serviço da missão, comunhão, em que todos participam”.

“O Papa Leão XIV reforçava isso recentemente no final do Consistório dos Cardeais, em Roma. Outros temas, temos a dimensão da própria hierarquia, da autoridade como serviço à Igreja, as questões das tensões que possam existir nas comunidades cristãs, como de maneira sinodal nós podemos também ultrapassar sempre com esta metodologia”, adiantou o secretário da CEP.

Carmo Rodeia, que faz parte da equipa sinodal, acrescentou que “são apenas sugestões”, porque a sinodalidade tem que ser concreta, “e o concreto das comunidades varia de comunidade para comunidade”, mas estes cadernos pretendem reafirmar no espírito do documento final do Sínodo que “todos são responsáveis pela missão e todos devemos estar disponíveis para ela”.

“Como é que isso se faz? Como é que nós podemos caminhar juntos? Como é que nós podemos participar nas decisões? Como é que as estruturas de corresponsabilidade desenvolvidas? Isso cabo a cada um, nós apenas damos um contributo para reflexão. As perguntas são muito abertas, são apenas sugestões”, desenvolveu a leiga da Diocese de Angra (Açores).

Este projeto mensal, de cadernos que favoreçam e estimulem a implementação do Sínodo dos Bispos dedicado à sinodalidade, surgiu no âmbito da equipa sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa e de uma proposta no segundo Encontro Sinodal Nacional, de janeiro deste ano, e inspira-se nos ‘Cuadernillos de La Sinodalidad’ do Conselho Episcopal da América Latina e do Caribe – CELAM.

“Adaptámos a nossa realidade e procurámos não traduzir esses textos, mas pegar nalgumas dessas temáticas, que são muitas, escolhemos algumas sugeridas nesse encontro nacional, para propormos às dioceses alguns itinerários de reflexão, e também de concretização do documento final do sínodo dos Bispos”, explicou o padre Manuel Barbosa.

Carmo Rodeia considera que é preciso, “sobretudo, dar a conhecer aquilo que é o documento final do sínodo”, aquilo que é o seu espírito, “e de que forma é que a concretização prática da sinodalidade como modo de ser e de viver a Igreja pode contribuir para a sua renovação pastoral”.

“Estes cadernos não têm esse objetivo de fazer um debate teórico, mas serve sobretudo para dar pistas para vivermos, e ajudar a viver onde ainda não é possível esta Igreja de iguais, onde ministérios diversos partilham as responsabilidades e a corresponsabilidade é implementada no quotidiano das comunidades”, desenvolveu a leiga açoriana, no Programa ECCLESIA, transmitido hoje, na RTP2.

O secretário da Conferência Episcopal Portuguesa destacou que este “é um trabalho conjunto” de uma equipa, das equipas nas dioceses, e todas as equipas de participação, e adianta que querem o próximo relatório, o terceiro, “também em ambiente sinodal, no segundo semestre de 2027, que as equipas sinodais se possam reunir”.

Estes novos materiais inserem-se na caminhada sinodal lançada pelo Papa Francisco em outubro de 2021, que convocou toda a Igreja Católica para um processo inédito de auscultação e renovação.

Após uma fase de consulta local (nas paróquias e dioceses de todo o mundo) e de uma etapa continental, a XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo decorreu em duas sessões (outubro de 2023 e outubro de 2024), no Vaticano.

O percurso culminou com a aprovação do Documento Final, a 26 de outubro de 2024, que Francisco decidiu promulgar de imediato, integrando-o no magistério da Igreja e dispensando a habitual exortação apostólica pós-sinodal, para dar força às orientações ali contidas.

(Com Ecclesia)

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