No quinto domingo da Quaresma, a Diocese celebra o Dia Diocesano do Doente, destacando uma abordagem diferenciadora na Clínica do Bom Jesus, propriedade da Igreja, onde o cuidado tem a marca dos valores cristãos

“Atenção ao doente em todas as suas dimensões” é o primeiro dos pilares apontados por Francisco Silva, presidente da Fundação Pia Diocesana do Bom Jesus, que gere a Clínica do Bom Jesus, a primeira unidade de saúde privada na região, para falar sobre o cuidado dos doentes, “a principal prioridade” da instituição que assinala no próximo domingo o Dia Diocesano do Doente.
O responsável, que é Diácono permanente há menos de um ano, aponta como marca diferenciadora desta unidade os valores cristãos, que orientam as decisões e práticas clínicas, diferenciando-a de outras unidades de saúde. A humanização dos cuidados surge, desta forma, como o eixo fundamental.
“Tratar o doente como pessoa, com proximidade e dignidade”, sublinha o diácono, lembrando que muitos utentes enfrentam solidão, abandono familiar ou longos períodos de internamento, “é a nossa prioridade”. Nesses casos, os funcionários e voluntários acabam por assumir um papel quase familiar.
O espaço foi doado à diocese pelo médico Furtado Lima e pela esposa, Laura, mas desde a doação até hoje têm sido implementadas medidas no sentido de melhorar sempre o quadro técnico- porque a saúde é sempre “promovida pelas pessoas”- mas também a oferta disponível ao nível do diagnóstico, do tratamento e do internamento. No entanto, mais do que equipamentos modernos ou cuidados clínicos diferenciados, o responsável sublinha que a verdadeira marca distintiva da instituição está “em algo mais profundo”. Essa diferença, explica, assenta numa abordagem integral da pessoa humana, onde não se cuida apenas da dimensão física, mas também da componente espiritual e emocional.
Por isso, outro elemento central nesta unidade de saúde é o acompanhamento espiritual, disponível não só para os doentes, mas também para as suas famílias. A presença permanente do capelão – que reside na própria clínica – permite um apoio contínuo, reforçado por celebrações religiosas e momentos simbólicos que recriam datas importantes como o Natal, a Páscoa, o Senhor Santo Cristo dos Milagres ou as festas do Espírito Santo.

A clínica conta ainda com um corpo ativo de voluntariado, que assegura apoio diário – desde a alimentação à simples companhia – e promove iniciativas recreativas que ajudam a manter os doentes ligados à vida fora da instituição.
Do ponto de vista da gestão, Francisco Silva destaca a ausência de fins lucrativos como uma característica essencial.
“Tudo o que é gerado em receitas é reinvestido na própria clínica”, afirma, garantindo transparência nas contas e uma gestão rigorosa, necessária para assegurar a sustentabilidade da instituição.
Com cerca de 70 camas, 20 das quais protocoladas com o sistema regional de saúde, a clínica encontra-se praticamente sempre lotada, refletindo a crescente procura por respostas na área dos cuidados continuados. Muitas famílias, admite, chegam em situação de desespero, sem capacidade para cuidar de doentes dependentes em casa.
Os utentes são maioritariamente pessoas fragilizadas, muitas delas sem retaguarda familiar. Para esses, a instituição procura oferecer não só cuidados médicos, mas também sentido e esperança.
“Há doenças da alma que precisam de acompanhamento”, refere.
É precisamente na esperança que assenta a mensagem deixada neste Dia Diocesano do Doente pelo responsável da Clinica. Inspirada na fé cristã, a instituição procura ajudar os doentes a encontrar sentido no sofrimento, sobretudo num tempo litúrgico que aponta para a Páscoa.
“Para nós, a esperança está na ressurreição. Mesmo quando a cura já não é possível, há sempre um caminho de dignidade, de sentido e de paz”, conclui o responsável.
Embora o Dia do Doente seja celebrado habitualmente a 11 de fevereiro, dia de Nossa Senhora de Lourdes, a verdade é que na diocese se celebra sempre no quinto domingo da Quaresma.
Angra possui três Capelanias Hospitalares- Ponta Delgada, Angra e Horta- e uma série de outras capelanias nas Misericórdias dos Açores.
Este ano, no Dia Mundial do Doente, o Papa leão XIV na sua mensagem retomou a parábola do Bom Samaritano para propor uma reflexão profunda sobre a compaixão como atitude cristã essencial, capaz de romper a lógica da pressa, da indiferença e do descarte que marca a cultura contemporânea.
“É precisamente essa a marca do nosso serviço: consolar quem está em sofrimento seja pela doença própria seja pela doença do seu familiar. Nunca deixamos ninguem entregue a si mesmo” rematou o diácono Francisco Silva.
O bispo de Angra celebra o Dia Diocesano do Doente, na Missa do Doente, na Igreja de São José, em Ponta Delgada, domingo, às 11h00.