Escolas Católicas publicam manifesto “corações conectados” para promover o “uso crítico e ético das redes sociais”

Foto: APEC, Assembleia de alunos em Fátima

A Associação Portuguesa de Escolas Católicas anunciou hoje que aprovou um manifesto que defende a rede digital como lugar de encontro, fruto de uma Assembleia de Alunos, em Fátima, no passado sábado.

De acordo com o comunicado citado pela Agência Ecclesia,  a iniciativa incluiu estudantes, representantes de diretores, educadores docentes e não docentes e pais, com o objetivo de refletir sobre ‘O Impacto das redes sociais nas relações pessoais’, de modo a promover-se o uso crítico e ético das redes sociais, valorizando-as como espaços de encontro.

“Nós, escolas católicas, assumimos o compromisso de desenvolver a ‘Cultura do Encontro’ nos ecossistemas digitais. Acreditamos que a rede digital deve ser um lugar rico em humanidade, composto por pessoas e não apenas por algoritmos”, pode ler-se no documento.

O texto tem como título “Corações Conectados– Manifesto para uma rede humana nas Escolas Católicas” e é composto por cinco conjuntos de princípios, tendo o primeiro o título “A Rede como Lugar de Encontro e Comunidade”.

Estes estabelecimentos de ensino comprometem-se a “criar uma comunidade digital em cada escola”, a dar “prioridade ao rosto sobre o ecrã”, praticando a escuta ativa e a “presença plena”, a reivindicar o direito ao silêncio e à desconexão e a fortalecer “o intercâmbio de experiências para que os alunos se sintam como uma única comunidade”.

No que respeita ao tema “Solidariedade e Cuidado pelo Outro”, as escolas católicas afirma que vão usar “as plataformas para potenciar redes de voluntariado e apoio, transformando seguidores em comunidades de cuidado”; promover, na comunidade digital, os eventos solidários em que a escola esteja envolvida” e cuidar “dos que se encontram mais fragilizados e sós”.

documento inclui também o campo da “Literacia Digital e a Busca pela Verdade”, dentro do qual se afirma o compromisso por incentivar o “pensamento crítico para que os alunos saibam filtrar a informação e combater ativamente a desinformação” e garantir “a verificação das fontes e a autenticidade do conteúdo antes da sua partilha, educando o olhar para recusar notícias falsas”.

“Criaremos espaços de reflexão sobre os impactos das redes sociais, apoiando aqueles que sofrem os seus efeitos negativos”, asseguram as escolas católicas.

Também a Ética, Autenticidade e Misericórdia Digital se encontram presentes no manifesto, com as instituições de ensino a informar que vão renunciar “ao discurso de ódio, ao cyberbullying e ao julgamento fácil no ambiente online”.

“Escolheremos sempre a empatia e o perdão, seguindo o exemplo de misericórdia de Jesus Cristo, lembrando que por trás de cada perfil existe uma pessoa com a sua dignidade, criada à imagem de Deus”, assinala o documento.

Segundo o manifesto, os estabelecimentos de ensino serão “autênticos nas nossas partilhas, celebrando a realidade em vez da ilusão da perfeição, em palavras e ações, dentro e fora da escola”.

No última área, “O Talento ao Serviço do Bem Comum”, as escolas católicas assumem que se vão empenhar a usar as “redes para edificar e não para exibir, partilhando dons e valores para combater a cultura do narcisismo com o testemunho da beleza”, e a integrar “os alunos nas equipas de comunicação, incentivando-os a produzir conteúdos, como podcasts, YouTube, Spotify e rádio escolar”.

“Exortamos as escolas a promover páginas ou redes que inspirem os jovens, garantindo que os talentos de todos, especialmente dos mais tímidos, são valorizados de forma igual”, conclui o documento.

(Com Ecclesia)

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