Núncio promete ser “bom advogado” para trazer Papa aos Açores no jubileu da Diocese em 2034

Representante da Santa Sé reconhece dificuldade das agendas papais, mas garante apoio ao convite para uma visita em 2034, altura em que a diocese viverá o seu ano jubilar próprio para assinalar o ano da sua criação

Foto: Igreja Açores/CR

O núncio apostólico em Portugal afirmou hoje que o convite dirigido ao Papa para visitar os Açores em 2034 pelo bispo de Angra no sábado, “não é fácil” de concretizar, mas garantiu que a Diocese de Angra terá nele “um bom advogado” junto da Santa Sé.

D. Andrés Carrascosa Coso, que participou nas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, explicou aos jornalistas que o processo de agendamento de visitas papais “é complexo e envolve várias instâncias”. Ainda assim, sublinhou a importância simbólica do convite, feito para assinalar os 500 anos da criação da Diocese de Angra.

O convite foi formalizado pelo bispo de Angra, Armando Esteves Domingues, no passado sábado, durante as celebrações religiosas, sendo já uma ideia anteriormente apresentada em órgãos consultivos da diocese, nomeadamente na Assembleia Conjunta entre os conselhos presbiteral e pastoral diocesano ocorrida em 2025.

O núncio recordou, porém, que “não é uma Diocese que convida”, mas sim a Conferência Episcopal, além de existir uma forte concorrência internacional por visitas do Papa.

“Todo o mundo está a convidar o Papa para todo o ano”, afirmou, exemplificando com diversas efemérides relevantes em Portugal, desde logo os 500 anos da própria nunciatura apostólica da Santa Sé em Portugal, a representação diplomática mais antiga que leva a que o núncio seja considerado pelo estado português como o decano dos embaixadores em Portugal.

Perante este contexto, admitiu que não é possível prever se uma eventual visita poderá integrar a agenda papal, mas deixou uma garantia: “vão ter um bom advogado (…) no sentido de que a nunciatura vai apoiar”.

Durante a sua primeira visita aos Açores, após ter sido nomeado em dezembro de 2025, D. Andrés Carrascosa Coso destacou a importância de conhecer a realidade local.

“Quem não conhece não ama”, afirmou, referindo-se à diversidade da Diocese de Angra, composta por nove ilhas.

O diplomata da Santa Sé explicou que veio “mais para conhecer e escutar” do que para intervir, destacando encontros com sacerdotes e membros da vida consagrada.

“Vou voltar, sim para conhecer ainda mais e melhor”, assegurou.

Sobre a sua participação nas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, o núncio disse ter ficado particularmente tocado com a procissão de domingo, vivida como peregrino.

Sublinhou ainda que o sentido profundo destas celebrações não se esgota no momento festivo, devendo ter impacto na vida quotidiana: uma comunidade que vive intensamente estas experiências deve refletir essa transformação ao longo do ano.

As Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, são as maiores festas religiosas dos Açores organizadas pela Igreja, em parceria com a Irmandade do Senhor Santo Cristo, decorrem até quinta-feira, tendo atingido o ponto alto no fim de semana.

As celebrações, centradas na imagem do “Ecce Homo”, realizam-se anualmente em Ponta Delgada e atraem milhares de peregrinos provenientes de todas as ilhas dos Açores, bem como do continente e da diáspora, nomeadamente dos Estados Unidos e do Canadá.

A edição deste ano contou com a presidência do cardeal António Marto e com a presença do núncio apostólico, numa participação que marcou a sua primeira deslocação oficial ao arquipélago.

 

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