D. Armando Esteves Domingues respondeu a uma pergunta da Agência Lusa à margem de um encontro sobre a importância da Comunicação no âmbito da comemoração do Dia Mundial das Comunicações Sociais que a igreja celebra no próximo dia 17

O bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, defendeu a necessidade urgente de a República olhar de forma diferente para os Açores, sobretudo no que diz respeito à mobilidade e ao desenvolvimento da região.
“Nós estamos classificados como uma região ultraperiférica, não é apenas periférica, é ultraperiférica. E, isto, também é urgente que se concretize em medidas próprias em defesa, às vezes de coisas simples, como uma companhia aérea que nos possibilite a vinda do turismo, o desenvolvimento, a mobilidade”, disse hoje o prelado diocesano aos jornalistas, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, à margem de um encontro informal sobre o Dia Mundial das Comunicações Sociais.
As declarações surgem num momento em que temas como o Subsídio Social de Mobilidade e a saída recente de companhias aéreas de baixo custo têm marcado o debate público na região. Para D. Armando Esteves Domingues, estas questões evidenciam fragilidades que precisam de resposta urgente por parte do Estado.
Apesar de reconhecer os progressos alcançados ao longo dos 50 anos de autonomia, o bispo considera que os Açores ainda não atingiram um nível de plena autonomia económica e de sustentabilidade. Nesse sentido, defende um maior compromisso da República na criação de condições que permitam consolidar o desenvolvimento regional.
“Creio que estamos, e temos percorrido nestes 50 anos de autonomia passos enormes, temos conquistado tanto de um espaço e de afirmação e continuamos a afirmar espaços também maduros de crescimento como a autonomia, mas a República, efetivamente, precisa de olhar de outra forma para a região”, afirmou.
O responsável diocesano manifestou ainda preocupação com as desigualdades sociais persistentes no arquipélago. Segundo afirmou, continuam a existir franjas da população que vivem em situação de vulnerabilidade, sem que as políticas implementadas tenham conseguido dar uma resposta eficaz. Uma situação que também preocupa a Igreja.
“Ainda não conseguimos responder como queríamos a essas franjas de injustiçados, a esta gente que, talvez, já por uma inércia de caminho, se calhar por políticas que se foram transmitindo e que não foram tendo muitos resultados, ainda não conseguimos superar essas franjas de pobreza”, justificou.
Acrescentou que há indícios que apontam para alguma recuperação, mas “ainda não é consolidada e isto, efetivamente, preocupa imenso também a diocese e está envolvida nas suas estruturas e também nas suas formas de estar no mundo, como sempre foi, de uma forma complementar, para que estas franjas se sintam apoiadas”.
A Igreja, acrescentou, mantém-se empenhada em apoiar estas populações, através das suas estruturas e da sua ação social, procurando complementar a resposta pública e garantir que ninguém fica para trás.
As declarações do bispo de Angra aconteceram durante um encontro com jornalistas a pretexto do Dia Mundial das Comunicações Sociais da Igreja, que se assinala no dia 17 de maio.