
Leão XIV alertou hoje no Vaticano para a necessidade de superar dinâmicas de violência, consumo e superficialidade, apontando à próxima celebração da Semana Santa.
“A narrativa da ressurreição de Lázaro convida-nos a estar atentos a essa necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, a libertar os nossos corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar que, como grandes pedras, nos aprisionam nos sepulcros do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade”, disse o Papa, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação do ângelus.
Perante milhares de pessoas na Praça de São Pedro, o pontífice criticou a procura incessante por novidades, alertando para o sacrifício de valores fundamentais.
“Este mundo parece estar em constante busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas importantes – tempo, energias, valores, afetos –, como se a fama, os bens materiais, os divertimentos e as relações passageiras pudessem preencher o nosso coração ou tornar-nos imortais”, advertiu.
O Papa identificou esta desorientação atual como “sintoma de uma necessidade de infinito” que cada um traz em si, mas “cuja resposta não pode ser confiada ao que é efémero.”
A reflexão exortou os católicos a libertarem-se do egoísmo na preparação para a Semana Santa, apontando a fé na Ressurreição como resposta à dispersão contemporânea.
“A Liturgia convida-nos a reviver, na Semana Santa que se aproxima, os acontecimentos da Paixão do Senhor – a entrada em Jerusalém, a Última Ceia, o julgamento, a crucificação e o sepultamento – para compreender o seu sentido mais autêntico e abrir-nos ao dom da graça que eles encerram”, afirmou.
A intervenção dominical concluiu-se com um desafio à renovação interior.
“Também a nós Jesus ordena ‘vem cá para fora!’, encorajando-nos a sair, regenerados pela sua graça, desses espaços confinados, para caminharmos na luz do amor, como mulheres e homens novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites”, observou.
Entretanto, o Papa apelou também ao fim das hostilidades no Médio Oriente, classificando a guerra como um “escândalo”, num cenário de tensão internacional.
“A morte e a dor causadas por estas guerras são um escândalo para toda a família humana e um clamor a Deus”, disse Leão XIV, após a recitação da oração do ângelus, desde a janela do apartamento pontifício.
Perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o pontífice expressou a sua preocupação pelo impacto da violência contínua nas populações civis.
“Continuo a acompanhar com consternação a situação no Médio Oriente, bem como noutras regiões do mundo devastadas pela guerra e pela violência”, declarou.
“Não podemos permanecer em silêncio perante o sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas destes conflitos. O que as fere, fere a humanidade no seu todo”, afirmou.
O alerta coincide com a escalada do conflito armado iniciado no final de fevereiro, após a presidência norte-americana exigir a reabertura do Estreito de Ormuz no prazo de 48 horas, sob ameaça de ataque às centrais elétricas iranianas.
Leão XIV exortou os líderes e a comunidade global a procurarem soluções diplomáticas e negociadas.
“Renovo com veemência o meu apelo para que perseveremos na oração, para que as hostilidades cessem e que caminhos de paz, fundados no diálogo sincero e no respeito pela dignidade de cada pessoa humana, possam finalmente ser abertos”, disse.
A intervenção no Vaticano terminou com uma saudação aos participantes da maratona da capital italiana, apontando a prática desportiva como um exemplo de fraternidade e união entre os povos.
“Hoje, em Roma, realiza-se a grande maratona, com a participação de inúmeros atletas de todo o mundo. Este é um sinal de esperança. Que o desporto ilumine os caminhos da paz, da inclusão social e da espiritualidade”, desejou o Papa.