Bispo de Angra exorta cristãos a destruir as pedras que se tornam muros para dividir os homens

D. Armando Esteves Domingues presidiu à solene Vigília Pascal na Sé de Angra e sublinhou o significado do batismo que nos faz “participantes na ressurreição de cristo” e não “meros espectadores”

O bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, apelou  esta noite na Vigília Pascal à união  desafiando os cristãos a “destruir as pedras que se tornam muros, dividem os homens e impedem uma fé sem esperança, uma vida sem alegria”.

“A história mudou com o escavacar das pedras do sepulcro e todas as que guardam esqueletos de uma fé sem esperança, de uma vida sem alegria. Destruamos nós também as pedras que se tornaram muros a dividir os seres humanos. Acabemos com a separação entre bons e maus, entre judeus e pagãos ou o contrário, entre russos e ucranianos, entre ricos ou poderosos e os que não produzem, não contam, estão a mais”, disse o bispo de Angra na homilia da Vigília Pascal, na Sé de Angra.

O bispo alertou para problemas atuais como a guerra, a pobreza e a solidão, sublinhando que “há sempre um faraó antigo ou moderno que nos quer convencer de que nada mudará se não for pela força”, defendendo antes “uma esperança que ilumine e não arma que elimine” .

Na Vigília Pascal, celebração dividida em quatro partes- liturgia da luz, liturgia da Palavra, liturgia batismal e liturgia eucarística- o prelado enfatizou ainda o papel do batismo, afirmando que “o batismo não nos torna meros espectadores da Ressurreição; faz-nos participantes dela” e que a vida cristã é um caminho contínuo: “Estamos sempre no início, sempre a começar e a recomeçar em busca do homem novo”, explicitou denotando que hoje em todo o mundo são estimados 10 milhões de batismos de adultos e de jovens que pela “beleza,  seriedade e o acolhimento da comunidade cristã” se deixaram seduzir e “reencontraram o sentido para as suas vidas”.

“ E nós? Em que ponto estamos?” interpelou.

O batismo é de resto o tema do ano pastoral diocesano, integrado num triénio dedicado ao anúncio, sendo uma das orientações a criação dos Centros de Preparação para o Batismo com equipas próprias. Sem as referir recordou que “o Batismo é o ponto de partida para uma Igreja em saída, sinodal e missionária”, que seja uma comunidade de irmãos que “mostre como se vive da fé em Cristo”.

Por fim, apelou a uma Igreja mais próxima das pessoas, presente no dia a dia, explicando que “Galileia é o lugar da vida comum (…) onde a fé precisa de se tornar visível na vida real”, e defendendo uma comunidade que “escuta antes de julgar, acompanha antes de abandonar, serve antes de dominar”.

D. Armando Esteves Domingues deixou finalmente uma saudação a todos os que se fazem “companheiros em busca do ressuscitado e irmãos de partilha na ação catequética, caritativa ou litúrgica das comunidades paroquiais e outras”, deixando uma “palavra amiga” aos profissionais de todas as áreas de ajuda à vida, à educação, à cultura e desporto, à saúde, à comunicação, à segurança, para que não lhes falte o entusiasmo e a alegria no serviço mesmo quando difícil.

“Esta nossa Celebração iniciou como que junto ao túmulo escuro, em silêncio. De um tição de brasa que se sopra começou a surgir uma pequena chama capaz de acender o círio pascal, de reacender Cristo e se comunicar a todos.  Sem soprar as brasas da fé, a vida vai-se apagando. Sem luz não se vive”, afirmou.

“Esta Vigília é o lugar próprio para essa contradição luminosa: não há mais morte, mas vida; não há mais pecado, mas graça, não há mais trevas, mas aurora luminosa. Tudo isto, porque o Senhor, com a Sua ressurreição encheu de luz a terra inteira”, disse ainda.

“Cristo Ressuscitou. Esta é a grande, única e suficiente verdade a dizer por todos e a todos. Que brote de todas as bocas e gargantas este canto festivo do ‘aleluia’, este grito de esperança na noite”, concluiu.

A missa de Páscoa a que presidirá este domingo também terá transmissão em direto da Sé de Angra, a partir das 11h00, na RTP Açores.

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