Processe de canonização do beato decorre por iniciativa da Companhia de Jesus

A Diocese de Angra assinala esta sexta-feira a memória litúrgica do Beato João Baptista Machado, presbítero e mártir açoriano reconhecido como padroeiro principal da diocese. O processo de canonização, integrado na causa dos chamados Mártires do Japão, encontra-se atualmente em renovação.
A devoção ao beato ganhou maior expressão a partir da segunda metade do século XX, sobretudo após a visita de São João Paulo II aos Açores, em 1991, ocasião em que lhe foi entregue um pedido formal de canonização, cujo processo está a ser liderado pela Companhia de Jesus. Desde então, diversas iniciativas têm reforçado a veneração dos fiéis açorianos por esta figura histórica da Igreja.
Natural da ilha Terceira, João Baptista Machado nasceu em 1582, no seio de uma família da aristocracia local. Estudou no colégio jesuíta de Coimbra e, mais tarde, partiu para o Oriente, onde prosseguiu a sua formação em Goa e Macau. Ordenado sacerdote, seguiu em missão para o Japão em 1609, numa época marcada pela perseguição aos cristãos.
Mesmo após a ordem imperial que determinava a expulsão dos missionários, permaneceu no país a exercer o seu ministério de forma clandestina, apoiando as comunidades cristãs japonesas. Em 1617 foi preso enquanto confessava um grupo de fiéis e acabou executado por decapitação, em Omura, juntamente com cerca de uma centena de cristãos.
Foi beatificado pelo Papa Pio IX em 1867, integrando o grupo dos 205 Mártires do Japão. Mais tarde, em 1962, o Papa João XXIII declarou-o protetor especial da Diocese de Angra, fixando o dia 22 de maio para a sua veneração litúrgica.
Ao longo dos anos, o Beato João Baptista Machado tornou-se uma figura marcante da identidade religiosa açoriana. O seu nome está presente em ruas, escolas e instituições sociais, enquanto a sua imagem continua exposta em várias igrejas da diocese e das comunidades açorianas emigrantes.
A sua vida e martírio inspiraram ainda obras literárias, peças de teatro e manifestações culturais, permanecendo viva a memória daquele que é considerado um dos mais importantes mártires açorianos da história da Igreja.