Leão XIV questiona quem “pretende impor os próprios planos”

Foto: Vatican Media

O Papa afirmou hoje que a ressurreição de Cristo é o fundamento de uma esperança que recusa a rendição ao mal e à indiferença perante o sofrimento humano.

“A Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio”, referiu Leão XIV, na sua primeira mensagem pascal, proferida na varanda central da Basílica de São Pedro.

Antes de conceder a bênção ‘Urbi et Orbi’ (à cidade [de Roma] e ao mundo), o Papa destacou o carácter pacífico da mensagem cristã, elogiando quem “rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o ofendeu”.

“A força com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à de um grão de trigo que, ao decompor-se na terra, cresce, abre passagem pelas leivas, germina e transforma-se numa espiga dourada”, apontou.

O pontífice apresentou a ressurreição de Jesus como a única via capaz de orientar as sociedades para o “bem comum”.

“Irmãos e irmãs, esta é a verdadeira força que traz a paz à humanidade, porque gera relações respeitosas a todos os níveis: entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, as nações”, afirmou.

“Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para os conceber e concretizar em conjunto com os outros”, insistiu.

“Sim, a ressurreição de Cristo é o princípio da nova humanidade, é a entrada na verdadeira terra prometida, onde reinam a justiça, a liberdade e a paz, onde todos se reconhecem irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai que é Amor, Vida e Luz.”

O Papa definiu a Páscoa como o “princípio da nova humanidade” e alertou para a responsabilidade individual face a este acontecimento, apelando à rejeição do medo e da falsidade.

“Diante do sepulcro vazio, podemos encher-nos de esperança e admiração, como os discípulos, ou de medo, como os guardas e os fariseus, obrigados a recorrer à mentira e ao subterfúgio para não reconhecerem que aquele que fora condenado tinha realmente ressuscitado”, advertiu.

Leão XIV apelou  ao fim das guerras que atingem a humanidade e denunciou a indiferença global perante o sofrimento das populações, convocando uma vigília de oração pela paz no próximo sábado.

“Estamos a habituar-nos à violência, resignamo-nos a ela e tornamo-nos indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às repercussões de ódio e divisão que os conflitos semeiam. Indiferentes às consequências económicas e sociais que produzem e que todos sentimos”, disse, desde a varanda da Basílica de São Pedro, antes de conceder a bênção ‘Urbi et Orbi’ (à cidade [de Roma] e ao mundo).

Leão XIV recuperou algumas das ideias fundamentais lançadas no pontificado do papa Francisco, cuja última aparição pública aconteceu há um ano nesta celebração um dia antes da sua morte,  e voltou a falar de uma “globalização da indiferença” cada vez mais acentuada.

Sem citar diretamente nenhum dos cenários de guerra nos vários pontos do mundo, ao contrário dos seus antecessores, Leão XIV exortou os líderes internacionais a abandonarem a lógica do domínio e do poder em favor de uma paz autêntica e duradoura.

“Neste dia de festa, abandonemos toda a vontade de contendas, domínio e poder, e imploremos ao Senhor que conceda a sua paz ao mundo atormentado pelas guerras e marcado pelo ódio e pela indiferença, que nos fazem sentir impotentes perante o mal. Ao Senhor confiamos todos os corações que sofrem e esperam a verdadeira paz que só Ele pode dar”, apelou.

O Papa manifestou a sua preocupação com o agravamento das tensões internacionais, pedindo que a voz daqueles que sofrem com a guerra seja ouvida.

“A cruz de Cristo recorda-nos sempre o sofrimento e a dor que envolvem a morte, e o tormento que ela acarreta. Todos temos medo da morte e, por medo, voltamo-nos para o outro lado, preferimos não olhar. Não podemos continuar indiferentes! Não podemos resignar-nos ao mal”, afirmou.

“A paz que Jesus nos entrega não é aquela que se limita a silenciar as armas, mas aquela que toca e transforma o coração de cada um de nós! Convertamo-nos à paz de Cristo! Façamos ouvir o grito de paz que brota do coração”.

Leão XIV anunciou a convocação de uma vigília de oração pela paz, presidida por si, na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de abril.

“Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!”, pediu.

A cerimónia contou com a presença de dezenas de milhares de peregrinos e foi precedida pela execução dos hinos do Vaticano e da Itália, pelas bandas da Gendarmaria Pontifícia e dos Carabinieri, com as saudações militares da Guarda Suíça e das Forças Armadas italianas.

No final da sua reflexão, Leão XIV enviou as suas saudações de Páscoa em dez línguas, dirigindo-se aos fiéis reunidos no Vaticano e àqueles que o ouviam através dos media, incluindo uma mensagem em português.

“Feliz Páscoa! Levai a todos a alegria do Senhor Ressuscitado e presente entre nós”, disse.

A cerimónia contou com a presença de dezenas de milhares de peregrinos e foi precedida pela execução dos hinos do Vaticano e da Itália, pelas bandas da Gendarmaria Pontifícia e dos Carabinieri, com as saudações militares da Guarda Suíça e das Forças Armadas italianas.

(Com Ecclesia e Vatican News)

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