
O patriarca latino de Jerusalém afirmou hoje que a ressurreição de Cristo constitui um desafio à resignação perante a guerra, durante a homilia do Domingo de Páscoa, celebrada no Santo Sepulcro.
“Parece que voltamos a colocar o Senhor num túmulo sempre que acreditamos que a morte tem a última palavra sobre a história, sempre que nos resignamos à lógica do inimigo, sempre que chamamos a uma trégua armada ‘paz’’ e ao cálculo dos danos ‘justiça’”, advertiu o cardeal Pierbattista Pizzaballa, numa intervenção divulgada online.
A cerimónia, com a Procissão da Ressurreição do Senhor, teve participação limitada, devido às restrições impostas pelas autoridades israelitas no contexto da guerra no Médio Oriente.
O patriarca latino de Jerusalém sublinhou que a fé cristã exige coragem.
“A Páscoa não nos promete uma vida ‘fácil’. A Páscoa promete-nos uma vida aberta. E para a abrir, Deus tem frequentemente de nos tirar primeiro as nossas certezas. É por isso que a Ressurreição nos inquieta antes de nos confortar.”
O responsável católico alertou a assembleia para o perigo de a vivência da fé se transformar num hábito ou numa forma de controlo, recordando que a figura de Jesus não se deixa enclausurar nas expectativas humanas.
“O Ressuscitado não está onde esperávamos que estivesse. Não está confinado pelas fronteiras das nossas certezas. O Ressuscitado vai à nossa frente. Esta é a poderosa mensagem da Páscoa: não somos nós que protegemos Deus; é Deus que nos liberta”, indicou o cardeal Pizzaballa.
Para o patriarca latino de Jerusalém, a força demonstrada por Cristo é totalmente pacífica e contrasta com o instinto de vingança, apresentando-se como o único caminho capaz de instaurar uma verdadeira fraternidade entre os povos.
“O Senhor ressuscitou — e isto não é um dogma distante, mas um desafio à resignação. É a única esperança que ainda pode abrir, aqui e agora, as portas da paz”, apontou.
D. Pierbattista Pizzaballa encerrou a celebração desafiando os crentes a assumirem atitudes práticas e concretas no seu quotidiano, assumindo o perdão como pilar de ação.
“Em termos práticos, sair significa escolher o perdão quando seria mais fácil endurecer os nossos corações; escolher a verdade quando seria mais confortável conformar-nos; escolher a esperança quando tudo sugere o contrário”, precisou.
(Com Ecclesia)