D. Armando Esteves Domingues afirma que aceitou numa leitura de fé este serviço, que pode ser condicionado pela distância geográfica

O bispo de Angra foi hoje eleito para integrar o Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) no triénio 2026-2029, durante a 214.ª Assembleia Plenária que decorre em Fátima até quinta-feira, 16 de abril.
“Trata-se de um serviço que me foi pedido e, neste momento, pouco mais posso dizer além de que o encaro com preocupação, procurando ao mesmo tempo dar o meu melhor”, afirmou D. Armando Esteves Domingues, em declarações à Agência Ecclesia após a eleição.
O prelado reconheceu as dificuldades que o novo cargo poderá implicar, sublinhando que ainda não sabe se terá disponibilidade suficiente, tendo em conta as exigências da Diocese de Angra.
“A vida nos Açores não é fácil para acompanhar todas as ilhas”, explicou. Acrescentou ainda que lhe foi dito que se tem procurado garantir a presença de um representante das ilhas neste órgão, que funciona como delegação da Assembleia Plenária e reúne mensalmente.
“Sem grandes reflexões adicionais, há alguém que representa as ilhas. Se isso ajudar a que se sintam mais integradas neste corpo que é a Igreja nacional, então cá estou”, referiu.
Na mesma Assembleia Plenária, iniciada esta segunda-feira em Fátima, foram também eleitos D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, como presidente da CEP, e D. José Cordeiro, arcebispo de Braga, como vice-presidente.
Além disso, foram escolhidos os membros do Conselho Permanente para o mandato 2026-2029. Integram este órgão, como vogais, o patriarca de Lisboa, D. Rui Valério (por inerência do cargo), D. António Augusto Azevedo, bispo de Vila Real, D. António Moiteiro, bispo de Aveiro, D. Armando Esteves Domingues, bispo de Angra, e D. José Traquina, bispo de Santarém.
D. Armando Esteves Domingues revelou ainda que chegou a esta assembleia com a intenção de pedir dispensa das funções de coordenador de comissão, cargo que desempenhou nos últimos anos como presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização. Admitiu que a função lhe trouxe dificuldades, sobretudo por não conseguir estar presente sempre que desejaria.
“Entretanto, convidaram-me a integrar o Conselho Permanente. Aceitei com sentido de fé, mas também por não conseguir recusar um pedido desta natureza”, acrescentou.
O bispo iniciou o seu ministério episcopal na Diocese de Angra em 2023, tendo tomado posse a 15 de janeiro, após nomeação do Papa Francisco em novembro de 2022, quando tinha 65 anos e exercia funções como bispo auxiliar do Porto.
A Conferência Episcopal Portuguesa é composta por vários órgãos, incluindo comissões episcopais dedicadas a áreas específicas da pastoral, o Secretariado-Geral, responsável por funções administrativas e de coordenação, e os Secretariados Nacionais, de caráter técnico e executivo.
Em novembro de 2025, a Assembleia Plenária aprovou uma reorganização das comissões episcopais, destacando a autonomização da Pastoral Social face à Mobilidade Humana, e das Comunicações Sociais em relação à área da Cultura e Bens Culturais.
Desde o triénio 2011-2014, a ação pastoral da Igreja Católica em Portugal estava estruturada em sete comissões: Educação Cristã e Doutrina da Fé; Pastoral Social e Mobilidade Humana; Laicado e Família; Vocações e Ministérios; Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais; Liturgia e Espiritualidade; e Missão e Nova Evangelização.
Formalmente reconhecida em 1967, após o Concílio Vaticano II, a Conferência Episcopal Portuguesa reúne os bispos das dioceses do país, promovendo a partilha de experiências e a definição conjunta de orientações pastorais.
(Com Ecclesia)