
O Papa denunciou hoje a busca por “privilégios”, que leva à exclusão, exigindo uma mudança radical nas relações humanas.
“No mundo antigo, em que ainda caminhamos, chamam a atenção os lugares exclusivos, as experiências ao alcance de poucos, o privilégio de entrar onde ninguém mais pode”, indicou Leão XIV, falando desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação da oração do ‘Regina Caeli’.
Perante milhares de peregrinos na Praça de São Pedro, o pontífice propôs a mensagem cristã como alternativa capaz de inverter a lógica reinante.
“Aquilo que está acessível a todos agora gera alegria: a gratidão substitui a competição; o acolhimento apaga a exclusão; a abundância já não implica desigualdade”, apontou.
Leão XIV identificou a busca constante por reconhecimento como uma das causas do desgaste humano contemporâneo, contraponda-a ao “valor infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira realidade”.
“É precisamente esta fé que liberta o nosso coração da ansiedade de obter e de possuir, do engano de perseguir um lugar de prestígio para valer alguma coisa”, sustentou.
O Papa destacou que em Deus “há lugar para cada um”, insistindo que na sua casa “há lugar para todos”.
“Ninguém está perdido. A morte ameaça apagar o nome e a memória, mas em Deus cada um é finalmente ele mesmo. Na verdade, é este o lugar que procuramos durante toda a vida, por vezes dispostos a tudo para ter um pouco de atenção e reconhecimento.”
A intervenção dominical focou-se ainda na aplicação prática do amor fraterno, apresentado como um caminho capaz de implementar a paz no momento presente e confirmar o valor de cada indivíduo.
“Amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou, oferecemos a nós mesmos essa consciência. É o mandamento novo: assim antecipamos o céu na terra, revelamos a todos que a fraternidade e a paz são o nosso destino”, indicou.
O Papa concluiu a reflexão com uma prece à Virgem Maria, pedindo que “cada comunidade cristã seja uma casa aberta a todos e atenta a cada um”.
Após a oração, o Papa evocou o início do mês de maio, dedicado à Virgem Maria, na tradição católica.
“Em toda a Igreja renova-se a alegria de nos reunirmos em nome de Maria, nossa Mãe, sobretudo na oração do Rosário. Recordamos a experiência daqueles dias entre a Ascensão de Jesus e o Pentecostes, quando os discípulos se reuniram no Cenáculo para invocar o Espírito Santo”, indicou.
Leão XVI apelou à “oração de todos”.
“Confio-vos as minhas intenções, especialmente pela comunhão na Igreja e pela paz no mundo”, declarou, antes de se despedir dos peregrinos.
(Com Ecclesia)