Cardeal António Marto destaca mensagem de esperança e paz em visita aos Açores

Em entrevista ao sítio Igreja Açores, o cardeal António Marto expressou a sua profunda alegria e emoção ao regressar aos Açores, três décadas após a sua última visita. A deslocação, que acontece no contexto das celebrações em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres, uma das maiores manifestações religiosas do arquipélago nas quais participará pela primeira vez, impele-o a destacar que a sua presença é espiritual, para viver a fé em comunhão com os peregrinos que acorrem de várias partes.
“Venho como um irmão entre irmãos, para partilhar a mesma fé e devoção”, afirmou, acrescentando que traz consigo uma mensagem de esperança, conforto e misericórdia, inspirada na figura de Cristo.
O cardeal que já está nos Açores desde segunda feira, tendo visitado as ilhas do Pico e do Faial, onde proferiu uma conferência sobre a atualidade da Mensagem de Fátima, destacou o impacto que a imagem do Senhor Santo Cristo, descrevendo-a como um símbolo de um Cristo sofredor, que reflete as feridas da humanidade contemporânea.
Segundo explicou, trata-se de uma representação que interpela os fiéis a procurar cura não apenas física, mas também moral e espiritual, ao mesmo tempo que transmite uma mensagem de compaixão e proximidade.
Num contexto global marcado por conflitos e tensões, António Marto alertou para os perigos da indiferença e do fatalismo. Defendeu que a mensagem cristã continua atual, sobretudo pela sua capacidade de falar “coração a coração”, promovendo a solidariedade e o cuidado mútuo, especialmente para com os mais vulneráveis.
Interpelado sobre o papel da Igreja na sociedade atual reconheceu um certo “enfraquecimento” da fé no mundo ocidental, que para se sustentar deve ser cada vez menos uma tradição e tornar-se uma escolha pessoal, vivida numa relação íntima com Deus.
Outro dos pontos centrais da sua reflexão foi a necessidade urgente de promover uma cultura de paz. D. António Marto, que é um dos teólogos de Fátima, e devolveu à Mensagem da Cova da Iria uma verdadeira leitura cristológica, sublinhou que a paz não depende apenas de decisões políticas, mas começa nos corações das pessoas, através do diálogo, do respeito e da superação de atitudes agressivas e polarizadas.
“A paz constrói-se no dia a dia, como um artesão trabalha fio a fio”, afirmou, defendendo também a importância de uma linguagem mais cuidadosa, capaz de evitar feridas e promover esperança.
O cardeal destacou ainda o papel “profético” da Igreja, que, apesar de não possuir poder militar, dispõe de “armas espirituais” capazes de transformar mentalidades e fomentar uma verdadeira cultura de paz.
D. António Marto será o presidente das festas este ano, proferindo este sábado o sermão da Mudança da Imagem, um sermão centrado no Ecce Homo e no domingo presidirá á eucaristia solene do Domingo do Senhor santo Cristo, que decorrerá no campo de São Francisco, às 9h30.